Judaísmo - história e origem do judaísmo
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Judaísmo - história e origem do judaismo

Judaísmo - história e origem do judaismo Judaísmo - história e origem do judaísmo


 

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   Leia com calma estas linhas até fim para entender o que é o judaísmo, história e origem do judaísmo e o que o faz tão diferente de todas as outras religiões que existem. Começando pelo exemplo de texto aqui citado, você rapidamente entenderá como é constituído e qual sua origem.

                                            

Texto do kidush

יוֹם הַשִּׁשִּׁי וַיְכֻלּוּ הַשָּׁמַיִם וְהָאָרֶץ וְכָל צְבָאָם וַיְכַל אֱלֹהִים בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי מְלַאכְתּוֹ אֲשֶׁר עָשָׂה וַיִּשְׁבֹּת בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי מִכָּל מְלַאכְתּוֹ אֲשֶׁר עָשָׂה וַיְבָרֶךְ אֱלֹהִים אֶת יוֹם הַשְּׁבִיעִי וַיְקַדֵּשׁ אֹתוֹ כִּי בוֹ שָׁבַת מִכָּל מְלַאכְתּוֹ אֲשֶׁר בָּרָא אֱלֹהִים לַעֲשׂוֹת


 

-Texto do kidush com intervalos de 7 em 7 letras: ישראל

Israel

- com Rashei Tevot (iniciais) י-ה-ו-ה
I-H-V-H

- com Sofei Tevot (letras finais) אמת
Emet verdade

 

יוֹם הַשִּׁשִּׁי וַיְכֻלּוּ הַשָּׁמַיִם וְהָאָרֶץ וְכָל צְבָאָם וַיְכַל אֱלֹהִים בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי מְלַאכְתּוֹ אֲשֶׁר עָשָׂה וַיִּשְׁבֹּת בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי מִכָּל מְלַאכְתּוֹ אֲשֶׁר עָשָׂה וַיְבָרֶךְ

אֱלֹהִים אֶת יוֹם הַשְּׁבִיעִי וַיְקַדֵּשׁ אֹתוֹ כִּי בוֹ שָׁבַת מִכָּל מְלַאכְתּוֹ אֲשֶׁר בָּרָא אֱלֹהִים לַעֲשׂוֹת

 

Na Torá estão encriptados textos dentro dos textos, para que só aqueles que conhecem os códigos sejam capazes de entendê-la.

Existem dezenas de maneiras de se codificar os textos da Torá, tais como iniciais, finais de palavra, 'guematriá' (o valor numérico de cada letra), a posição da palavra na Torá, equivalências entre palavras...


A correta tradução dos textos depende do conhecimento destes procedimentos.


Existe portanto a Torá escrita, constituída por todos os textos canônicos em hebraico, e a Torá oral, as interpretações da Torá escrita, tudo aquilo que se aprende de boca a orelha, de mestre a discípulo.

O Siddur de Tefilá traz um escrito do Talmud que explica alguns destes códigos, tornando-os acessíveis a todo judeu que reza regularmente. Está no fim do פרשת הקורבנות 'parashát hakorbanot', logo antes de shaharit - a 'beraita deRabbi Yshmael'

ברייתא דרבי ישמעאל


רִבִּי יִשְׁמָעֵאל אומֵר בִּשְׁלשׁ עֶשְׂרֵה מִדּות הַתּורָה נִדְרֶשֶׁת.

(א) מִקַּל וָחומֶר.

(ב) מִגְּזֵרָה שָׁוָה.

(ג) מִבִּנְיַן אָב וְכָתוּב אֶחָד. וּמִבִּנְיַן אָב וּשְׁנֵי כְתוּבִים.

(ד) מִכְּלָל וּפְרָט.

(ה) מִפְּרָט וּכְלָל.

(ו) כְּלָל וּפְרָט וּכְלָל אֵי אַתָּה דָן אֶלָּא כְּעֵין הַפְּרָט.

(ז) מִכְּלָל שֶׁהוּא צָרִיךְ לִפְרָט. וּמִפְּרָט שֶׁהוּא צָרִיךְ לִכְלָל.

(ח) וְכָל דָּבָר שֶׁהָיָה בִּכְלָל וְיָצָא מִן הַכְּלָל לְלַמֵּד. לא לְלַמֵּד עַל עַצְמו יָצָא אֶלָּא לְלַמֵּד עַל הַכְּלָל כֻּלּו יָצָא.

(ט) וְכָל דָּבָר שֶׁהָיָה בִּכְלָל. וְיָצָא לִטְעון טָעוּן אַחֵר שֶׁהוּא כְעִנְיָנו. יָצָא לְהָקֵל וְלא לְהַחְמִיר.

(י) וְכָל דָּבָר שֶׁהָיָה בִּכְלָל וְיָצָא לִטְעון טָעוּן אַחֵר שֶׁלּא כְעִנְיָנו יָצָא לְהָקֵל וּלְהַחְמִיר.

(יא) וְכָל דָּבָר שֶׁהָיָה בִּכְלָל וְיָצָא לִדּון בְּדָבָר חָדָשׁ. אֵי אַתָּה יָכול לְהַחֲזִירו לִכְלָלו עַד שֶׁיַּחֲזִירֶנּוּ הַכָּתוּב לִכְלָלו בְּפֵרוּשׁ.

(יב) וְדָבָר הַלָּמֵד מֵעִנְיָנו וְדָבָר הַלָּמֵד מִסּופו.

(יג) וְכַן שְׁנֵי כְתוּבִים הַמַּכְחִישִׁים זֶה אֶת זֶה עַד שֶׁיָּבא הַכָּתוּב הַשְּׁלִישִׁי וְיַכְרִיעַ בֵּינֵיהֶם:

Ela se encontra traduzida em todos os siddurim em Português.

O hebraico original se escrevia sem 'nekudot', vocalização, O Alef-Beth é composto unicamente por consoantes. representadas pelos pontinhos, acrescentados entre os séculos 7-11 por Ben Asher e Ben Nafatali, famílias de escribas com o intuito de que a pronúncia e significado original não se perdessem. O Rambam apoia-se preferencialmente nas Nekudot da tradição de Ben Asher, e Rav Saádia HaGaon apoia-se preferencialmente na tradição segundo Ben Naftali. Eles são a maior autoridade do judaísmo na idade média, e é através deles que ela será transmitida até hoje.

 

Cada palavra na torá pode ser lida com diferentes vocalizações, mudando o sentido da frase. Todas estão corretas segundo o seu ponto de vista, mesmo se estiverem em contradição uns com os outros. São as diferentes facetas de uma mesma realidade, e, assim como a realidade é por vezes complexa e contraditória, a Torá é complexa e contraditória.

Cada frase na Torá pode ser lida de 70 maneiras maneiras diferentes. A estas chamamos שבעים פני התורה 'shivim pnei haTorá', ou 70 rostos da Torá. 'Pnei' significa também interior - e no rosto de uma pessoa transparece o seu interior. Esta mesma frase significa também satisfeitos os interiores da Torá.

Veja por exemplo a primeira palavra da Torá, que na sua tradução em português (a bíblia) começa com a palvra no início. Em Hebraico, está escrita בראשית 'bereshit', a gênesis,  que tem 70 significados  relatados um a um no 'Tikunei haZohar', introdução à obra mais importante já escrita sobre cabalá. Ademais, a palavra Bereshit não significa no início, confrome à tradução em português. Início diz-se em hebraico תחילה 'thilá'.

Além destas 70 faces da Torá, existem os chamados 4 'níveis de interpretação', e determinados Rabinos no decorrer da história foram os expoentes emblemáticos de cada um destes níveis, e muitos rabinos foram expoentes em todos os níveis.



 

Estes níveis formam o acróstico פרדס 'Pa-R-De-S', que significa campo/pomar. Metáfora para o judeu que estuda Torá e visita o pomar de D.eus 

4x70 é portanto o número de interpretações para cada frase da Torá.

-פשט 'pshát' - simples, literal aquilo que está objetivamente escrito, evidenciando portanto aquilo que não está escrito. Relembra o sentido original de cada palavra e a recoloca em seu contexto de origem. Seu maior expoente foi Rashi, Rabi Shlomo Yitzhaki que viveu na França por volta de 1100. Todas as edições da Torá praticamente vêm com sua exegese.

Todas as desenganações ou interpretações errôneas são corrigidas com base em Rashi.

-רמז 'rémez' - pistas. sentido anagógico aquilo que determinadas palavras deixam a entender. Seus maiores expoentes estão no Talmud, e os tradutores da Torá para o Aramaico, como Yonatan Ben-Uziel e Onkelos entre outros tantos.

O que se aprende mudando a vocalização de palavras como בנייך 'banaih' e בונייך 'bonaih'- seus filhos ou seus construtores. (texto talmúdico da reza matutina)

אָמַר רִבִּי אֶלְעָזָר אָמַר רִבִּי חֲנִינָא תַּלְמִידֵי חֲכָמִים מַרְבִּים שָׁלום בָּעולָם שֶׁנֶּאֱמַר וְכָל בָּנַיִךְ לִמּוּדֵי ה' וְרַב שְׁלום בָּנָיִךְ. אַל תִּקְרֵי בָנַיִךְ אֶלָּא בונָיִךְ

-דרוש 'drosh' - interpretação, alegoria aquilo que você aprende das coroas e espinhos desenhados sobre as letras, da cantilação e que está codificado de diferentes maneiras. Seus maiores expoentes foram o Ramban, Rav Moshe Ben Nahman na Espanha por volta de 1200, o Baal ha turim, Rav Yaakov Ben-Asher, que viveu por volta de 1300 entre Colônia e Espanha. Este último trás milhares de 'guematriot'- numerologia  explicando segredos da Torá por equivalências numéricas e matemáticas. Rav Ibn Ezra, o Sforno, Rav Abudarham e Rav Don Itzhak Abarvanel foram outros eminentes expoentes do 'drosh'.

 

Em sua interpretação ao livro 'Bereshit', a gênesis', o Ramban trás uma explicação que, curiosamente, lembra em muito a teoria do Big-Bang e a teoria das cordas:

...ונטה עליה קו תהו ואבני בהו...

 "...e lhe colgou a corda 'tohu' e as pedras 'bohu'..."

והנה בבריאה הזאת, שהיא כנקודה קטנה דקה ואין בה ממש, נבראו כל הנבראים בשמים ובארץ.


"... e eis que nesta criação que é como um ponto infinitesimal, tão miúdo que não há nele realmente matéria, emanaram todas as criações dos céus e da terra..."

-סוד 'sód' - segredo, cabalá - ou ainda a parte esotérica da Torá, que envolve o metafísico e espiritual, diferentes partes da alma, mundo superiores. Seus principais expositores foram o Rashbi, Rabbi Shimon Bar Yochai (Rashbi) que escreveu o Zohar, Rabbi Itshak Luria (Ari zal), Rabbi Moshe Cordovero (Ramal), Rabbi Moshe Luzzato (Ramhal), O Recanati, Rabbi Haim Vital, o Baal HaSulam, Rav Guekatilla e o Rav Kook entre outros.

A cabalá a princípio só deve ser estudado por homens casados de mais de 40 anos e com filhos que estudaram Torá durante toda a sua vida. veremos mais adiante por quê.

Outras religiões que tomaram como base a bíblia traduzida em latim ou grego, assumiram uma única tradução como absoluta e distorceram a complexidade que representa o texto original da Torá.

Estas outras religiões são compatíveis com os níveis de compreensão das pessoas que as pregam e as praticam.

No decorrer da história, representantes destas novas religiões baseadas em traduções empobrecedoras da torá tentaram impor suas distorções aos judeus. Estes as rechaçaram, e foram por isto perseguidos.

Muitos dos grandes rabinos acima citados foram perseguidos pela inquisição ou por muçulmanos e mesmo pelos ateístas da antiga URSS. o Rial, Rav Yehuda haLevi foi assassinado às portas de Jerusalém por muçulmanos, depois de ter de fugir da instabilidade na Espanha.

Não existem portanto 3 grandes religiões monoteístas como se crê vulgarmente. Existem 2 grandes religiões. O judaísmo é uma pequena religião com menos de 12 milhões de Judeus em todo o mundo, a maioria ignorante dos segredos da Torá por não saber hebraico ou não se interessar por religião

O judaísmo não é de natureza proselista, ou seja não se preocupa em converter ninguém a sua fé, e aceita que as pessoas acreditem no que melhor lhes pareça. Os segredos da Torá são reservados àqueles que a estudam, e que conhecem a língua hebraica.

Já fazem mais de 3000 anos que a Torá foi dada a Moshe Rabeinu no Monte Sinai, o povo de Israel já construiu seu país duas vezes no passado, e, ao surgir o cristianismo, o povo judeu já tinha passado por três diásporas. Esta foi apenas mais uma em sua história. Os romanos destruíram Israel assim como os Babilônios, os Assírios e os Gregos entre outros já haviam feito antes.

Os romanos não foram os primeiros a tentar adotar o judaísmo como religião. Os gregos já haviam traduzido a Torá inclusive com assistência de 70 rabinos. Esta tradução chama-se Septuaginto. A Torá já havia sido também traduzida três vezes ao Aramaico.

Os judeus foram escravizados, e deportados. O segundo templo foi destruído. Judeus expulsos encontraram-se com judeus que haviam sido previamente expulsos no quando da destruição do tempo de Salomão, o primeiro templo (seus descendentes) por Nabucodonosor da Babilônia (atual Iraque), Djerba em Cartagena (atual Tunísia), Alexandria (Egito helenizado), Teimán (Yemen-Omã-Arábia Saudita), Roma e Grécia e lugares tão distantes como o vale do reno, Zona de origem dos Judeus chamados de 'ashkenazim' que não haviam retornado a Jerusalém no momento da construção do segundo templo por Ezra e Nehemia (Talmud Yerushalmi). Além do mais chegaram aos confins ocidentais do império romano como na península ibérica.

O judaísmo esteve a ponto de tornar-se a religião padrão internacional. Donos de escravos recém-comprados por somas irrisórias espantavam-se em descobrir que seus escravos eram poliglotas, e se interessavam por sua religião. Relatam-se centenas de milhares de simpatizantes e convertidos nesta época.

Quase 300 anos mais tarde, Saul de Tarso, um judeu da grécia (atual Turquia) compilou uma série de escritos sobre Yeshu de Nazaré e formulou uma nova religião mais adaptável aos povos europeus. esta religião entrou em conflito com os diversos cultos pagãos da época até ser apoiada pelo imperador constantino. O vasto império pagão romano que cultuava todas as figuras e famílias mitológicas conhecidas cristianizou-se por completo. Isto explica porque todos os países latinos de hoje (provenientes da desfragmentação do império romano) são cristãos, ao contrário do império, que era pagão.

Todas as proibições, complicações teológicas e metafísicas, circuncisão e hábitos alimentares estritos do judaísmo pesavam sobre aqueles que queriam converter-se, e não conseguiam compreender toda a abrangência do judaísmo. No início do cristianismo, aquele que desejava crer que o messias já havia chegado precisava converter-se ao judaísmo.

Os judeus já tinham presenciado e sofrido nesta época o reino de Nimrod, os caldeus, o império Arameu, o Egito, os filisteus, os fenícios, a Assíria, a Babilônia, a Pérsia, os Medas, os Gregos... Os romanos foram apenas mais um império que passou por Israel

A terra de Israel é o lugar no mundo pelo qual passaram o maior número de impérios da história da humanidade. Já passaram por lá 129 impérios. Nenhum deles conseguiu estabelecer-se. (Joan Peters)

Ainda faltavam 638 anos para que o islã aparecesse sobre a face da terra. Quando os árabes conquistaram o Oriente Médio e expandiram seu império, os judeus já estavam em sua quarta diáspora, e encontravam-se em praticamente todos os países conquistados.

O Islã adotou elementos cristãos e elementos judaicos, e os filtrou e deturpou a sua maneira, assim como o cristianismo em seu momento.

Quando a babilônia foi conquistada pelos árabes, seus judeus foram expulsos para o norte, no Cáucaso e na Scíthia (atuais Rússia e Ucrânia), chegando até a região onde hoje se encontra a Polônia e juntando-se aos Judeus Ashkenazim

No século 10-11 Relata o Rav Yehuda haLevi um reino 'Kuzari' (césar>czar>cuzar) da região do cáucaso/criméia que promoveu uma conversão em massa de seu povo ao judaísmo, fato bastante insólito em sua história.

Quando o Egito, Cartagina e Berbéria foram conquistados pelos muçulmanos muitos judeus tornaram-se 'dhimis', minorias de outras religiões que vivem sob as asas do Islã. Os árabes invadem a península ibérica e são refreados em Poitiers pela coalizão de forças entre o vaticano, nobres francos e britânicos.

Os judeus estão entre dois fogos, entre duas religiões proselistas e imperialistas, em luta uma contra a outra. Entre a inquisição e o sabre, a 'madeira' e a 'pedra', jesus e maomé, os judeus manterão segredo de sua religião e crenças, que contradizem frontalmente as duas grandes religiões.

Antes de sair à última diáspora, nos anos que seguiram à destruição do segundo templo, o Rav Yehudá haNassi reuniu toda a 'intelligentzia' da época por perceber que o povo ia dispersar-se novamente e o momento tinha chegado para adotar o governo de exílio. Ele decide tornar escrita grande parte do conhecimento que até então era de natureza puramente oral. Ele compila a משנה 'Mishná', segunda, todos os mais importantes códigos da legislação judaica. As Mishnaiót são a base do Talmud.

A torá oral, os diferentes códigos para compreensão da torá escrita e a maneira de deduzir a correta maneira de se estipular e estabelecer a legislação (constituição) estavam em grande risco de ser esquecidas.

Com o passar dos anos e a agravação do exílio, fez-se mister explicar as linhas de raciocínio que conectavam entre a Torá escrita e a Mishná. Este trabalho foi feito por rabinos chamados תנאים 'Tanaim', e, ao contrário da Mishná que foi compilada em hebraico, os tanaim decidiram compilar seus estudos em aramaico, língua franca, conhecida por todos àquela época. O trabalho desta geração de rabinos chama-se גמרא 'guemará' e durou alguns séculos antes de ser completada. Outras gerações vieram em seguida e completaram o trabalho dos Tanaim, os אמוראים 'emoraim'.

O Talmud, constituído essencialmente pela 'Mishná' e a 'Guemará', foi compilado em dois lugares simultaneamente: em Bavel (Babilônia) e em Jerusalém. As mishnaiót são as mesmas, as guemarot são diferentes. Estes dois Talmudim chamam-se Talmud Bavli, e Talmud Yerushalmi respectivamente.

Com o passar dos séculos a própria guemará já precisava de explicações, pois os judeus da Europa já não compreendiam o contexto de vida dos judeus que haviam vivido na Babilônia. Rashi (séc10) e depois seus filhos e netos, os Tossafot comentaram e explicaram o talmud e seus raciocínios em hebraico. O talmud de hoje é a combinação de todos estes elementos e outros mais que lhe foram agregados no decorrer da história.

O talmud é constituído de mais ou menos 50 livros de 1500 páginas cada, e compilam grande parte do conhecimento que até a destruição do segundo templo era transmitido oralmente. Alguns de seus tratados foram totalmente destruídos pela inquisição, e estão lamentavelmente perdidos para sempre, a não ser que venha a aparecer algum exemplar confiscado ou preservado.

O Talmud é a base do estudo do judaísmo em todos os níveis do PARDES. Nele, aprende-se essencialmente a se raciocinar como um judeu, a construir o pensamento seguindo linhas de razão específicas. As vezes os assuntos estudados podem parecer sem relação com a vida no dia a dia. São na verdade exemplos usados para que o judeu entenda o que fazer e como pensar quando for defrontado às situações mais diversas. O Talmud conservou o povo judeu como identidade, como maneira de raciocinar e como forma de existência. (na página de Judaísmo há um documentário contando a história do talmud)

A educação judaica, baseada no Talmud é provavelmente o que assegurou um nível especial de compreensão da realidade que fez com que, assim que começou a emancipação, os judeus se destacassem em todos os ramos do conhecimento humano. O povo judeu provém de uma minoria que foi espezinhada e viveu em guetos fétidos nos últimos dois mil anos, e graças ao talmud, conservou sua identidade e potencial pelo decorrer dos séculos , para tornar-se nação líder em tecnologia e pesquisa assim que lhe foi dada a chance.

Agora que o povo judeu tem um país ele pode colocar em prática a vida e a maneira de pensar e educar seus filhos tal como ela foi preconizada por seus antepassados antes do último exílio, da última dispersão. Hoje a religião pode ser professada sem temor.

Ainda assim a religião judaica continua não tendo cunho proselista. Conversões existem para aqueles que realmente desejam, mas é desencorajada, já que não há necesidade de que todos sejam judeus. Provavelmente continuaremos sendo uma minoria.

Hoje em dia, para quem fala hebraico, todos estes conhecimentos que foram mantidos em segredo durante os últimos 2000 anos estão disponíveis em qualquer edição da Torá em Israel como a "Mikraót Hagdolot" e existem um profusão de livros inclusive em português - mas sobretudo em inglês e francês.

 Yeshivot - é o nome dado às escolas rabínicas nas quais se estuda judaísmo.

EXEMPLO DE PÁGINA DO TALMUD

Em azul  a Mishná, conjunto de leis compiladas por Rabbi Yehuda haNassi

Em amarelo, a Guemará, completada pelos Tanaim e Amoraim em Biblônia para o Talmud  Bavli, e em Jerusalém, o Talmud Yerushalmi

Em rosa o comentário de Rashi, maior Rabino do Pshat no século 10

Em verde os Tossafot, netos de Rashi, completando o trabalho do avô

Em magenta, aqui do lado, Rabeino Hananel, comentarista do século 16

em roxo, Ner Mitzvah, referência aos códigos de lei, para saber-se finalmente como a lei foi promulgada

Em verde do lado oposto, Massoret Ha Shass,links para outros lugares no Talmud onde assuntos similares são tratados

Os numerozinhos no meio da página são referências aos mesmos textos na Torá escrita.
Judaísmo - história e origem do judaísmo
Segundo o Judaísmo, o mundo e todas as suas maravilhas foram criados por D.eus.  Judaísmo - história e origem do judaísmo

Numerologia

Cada letra do alfabeto hebraico corresponde a um número. Esta é a origem da numerologia, e ela só funciona em hebraico, que possui um sistema de contagem muito particular- é impossível descrever em todos os pormenores os códigos complexos e as operações matemáticas que provém da 'Guematriá', mas podemos ter um gostinho:

א

ב

ג

ד

ה

ו

ז

ח

ט

י

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

 

כ

ל

מ

נ

ס

ע

פ

צ

ק

20

30

40

50

60

70

80

90

100

ר

200

ש

300

ת

400

  

               


Elohim- אלהים

Um dos nomes de D.eus na Torá é Elohim, aparece logo ao primeiro versículo. Seu valor numérico é calculado somando-se as letras que compõe seu nome:
א=1
ל=30
ה=5
י=10
מ=40
A soma total dá o valor de 86 - que é igualmente a soma da palavra 'a natureza': הטבע. O que deixa a entender que a natureza é uma das manifestações de D.eus, e é esta a primeira das manifestações de D.eus na torá, portanto nesta dimensão.

Ahavá - אהבה

Amor. A soma das letras da palavra ahavá, amor, dá 13
א=1
ה=5
ב=2
ה=5
Treze também é o valor numérico da palavra um, אחד. Ou seja, quando dois tornam-se um, há amor, que é um. além do mais, outro dos nomes de D.eus,   י-ה-ו-ה I -H-V-H tem o valor numérico de 26, duas vezes treze. Ou seja, duas pessoas que formam um dentro de casa com harmonia, recebem a presença de D.eus em seu lar.

Comidas do sétimo dia

No Shabat, o sétimo dia, temos o hábito de celebrar com D.eus a criação do mundo, preparando comidas que representam o sétimo dia:

Peixe

dag

דג

2+3=

7

Carne

bassar

בשר

2+300+200=502=5+2+0=

7

Pão halá

halá

חלה

5+8+30=13+30=43=4+3=

7

Vinho

iain

יין

10+10+50=70=7+0=

7

Sopa

marak

מרק

40+200+100=304=3+4+0=

7

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