Carta sincera - considerações sobre Guerra- Oriente Médio

   Bruno Benjamin Scialom - Guerra - Oriente Médio 2012
   

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Guerra - Oriente Médio - considerações

Recolhimento de pensamentos após de 10 anos de vida no Oriente Médio - e com interlocutores que parecem não falar a mesma língua. A maior parte do tempo em que conversamos empregamos os mesmos termos, mas temos em mente conceitos diametralmente opostos. Convém antes de mais nada definir uma série deles. Como disse um certo filósofo "diga-me qual a cor do céu - e concordaremos que é azul, ou pelo menos nós dois o chamamos de azul. Eu chamo o que vejo de azul e você chama o que vê de azul, mas quem garante que nós dois estamos efetivamente vendo o mesmo?"

Exemplificando uma conclusão e um raciocínio de maneira a gerar um conflito.

Fulano e ciclana querem ter filhos mas não têm. Em um passeio eles passam diante de um vendedor de ervas milagrosas e tem uma, conta o vendedor é tiro e queda, trará gravidez seguramente.

Ao perguntar o preço, fulano se surpreende. Os olhos da cara.

Ele recusa comprar, já que quem garante que aquela erva realmente funciona.

Ciclana se aborrece com ele e o acusa "você não quer que eu fique grávida"

então toda a família dela se aborrece com ele. "ele não quer que ela fique grávida".


Bem este é um exemplo de paradoxo dentro dos vais e vens intelectuais que temos de evitar, os quais são amplamente explorados por políticos e jornalistas de todas as tendências.


Além do mais, entre nós, há duas profissões que são diretamente oriundas do inferno, do capeta em pessoa: advogados e jornalistas. Esses são os agentes destes, em uma morbosa simbiose que incendeia os espíritos corruptíveis e simplórios. Eles são capazes de transformar a vítima em torturador, o algoz em donzela violada. "Mieux vaut les connaître en photo que de les avoir en pension" (melhor conhecê-los por foto de que convidá-los para a janta).


Outro ponto a colocar antes de se aventurar nos meandros da construção do pensamento. Dizia um pensador judeu cujo nome me escapa que "não há nada mais desigual do que tratar de igual maneira a duas coisas desiguais". Exemplo, meus alunos de segundo grau que ousam dizer que funk "é muito melhor" do que jazz. (não que não tenham o direito de ouvir o que desejarem, também têm o direito de ser jovens) mas que não estamos falando da mesma escala de valores. Não se pode comparar músicos que estudaram 30 anos de música com um computador fazendo bum-bum.

Da mesma maneira, não se pode comparar cebolinha a Victor Hugo, ou mesmo o aluno ao professor. A partir do momento em que tudo se recoloca em questão automaticamente ou por questão de princípio, já que o exercício favorito dos pensadores liberais é de recolocar em questão tudo tempo inteiro - e apesar de ser em geral o recolocar em questão um exercício por si mesmo saudável, sobretudo quando ele tenciona trazer o progresso intelectual, ele traz um efeito colateral danoso: a enorme maioria das pessoas apenas recoloca em questão e não progride intelectualmente, apenas terminam voltando para trás, por terem rejeitado cegamente qualquer coisa que tivesse existido previamente sem criar nada no lugar. Os líderes intelectuais responsáveis por estes novos axiomas não vivem as consequências da disseminação indiscriminada de suas ideias que, deveriam se aplicar apenas àqueles que são capazes de entendê-las ou mais ainda, de lidar com elas. Portanto recolocar em questão é um exercício para quem pode - e aquele que o retransmite a qualquer pode estar provocando uma cadeia de eventos a qual virá a lamentar.

Isto gera um mundo maniqueísta de bem e mal, onde o bem é igualmente recolocado em questão. Por exemplo. Tanto martelaram o homossexualismo nas últimas décadas, que hoje, envergonhe-se de ser heterossexual. E se você achar que não há problema em ser homossexual cada um no seu canto, mas verdadeiramente cada qual no SEU canto, ou seja, isto não me obriga também a sair na av paulista de biquíni, e talvez não me pareça apropriado que meu filho de 10 anos seja exposto a este tipo de espetáculo, de homens e transexuais de seminus em profusão nas ruas. Mas se eu digo isto em voz alta, serei tachdo de "anti gay, preconceituoso" - ainda que, no final das contas, eu admita que cada qual possa ter sua liberdade no seu canto.


Então no absoluto em se tratando de sociedade, se cada um tem de ter seu lugar, as ideias de liberdade são tomadas por grupos de interesse e manipulados. Estes grupos de interesse, tomam ideias de natureza e peso diferentes, e emitem conclusões que nada mais são do que infelizes chavões tais como "você é contra os gays" "você é contra a paz", ou "você é contra a igualdade".


Esta é inclusive uma das metáforas do judaísmo no tocante aos animais "puros" ou "impuros", de acordo com o Rabino Maharal de Praga. Os animais ruminantes "casher", são aqueles que não engolem qualquer coisa de uma vez só, mas remoem, rejeitam, voltam a ingurgitar, uma metáfora para os que devem ser "ruminantes de ideias", ou seja não aceitar nada como tal, mas remoer ideologias. O "porco", animal "não-casher" ingurgita tudo sem distinção, lixo ou trufas,ou seja, coloca em pé de igualidade todas as ideias, sejam elas "trufas" ou "lixo". O porco simboliza no judaísmo a sociedade romana (ocidental) - "que poe em pé de igualdade" ideias triviais e ideologias profundas


Tenho a impressão de que um enfoque constante da mídia, ou ainda ter acesso a diferentes tipos de mídia trás invariavelmente uma situação de extrapolação do coletivo para o individual ou do individual para o coletivo. Ou seja, a mídia trás uma visão do macro, enquanto nosso poder de ação está sempre confinado ao micro - como dizia a mãe de minha mãe, mesmo que caísse uma bomba atômica neste momento, se tiver uma urgência e eu precisar ir ao banheiro, irei.

Assim, notícias que envolvem decisões governamentais são apresentadas como fulano ou ciclano sofrendo as suas consequências, mais do que em um contexto explicativo do porquê tal ou tal decisão foi tomada, e qual o número de pessoas beneficiadas ou situação alcançada. Mais ainda, se o jornalista não tiver capacidade de análise, como é a imensa maioria dos casos, e se ainda ele apoiar ou estiver habituado a veicular determinadas ideologias, então quase sempre apresentarão o individual onde não cabe ou o coletivo onde não cabe.

Digamos que eu fale de acidentes de trânsito. Direi que em termos de estatísticas, o Brasil é um país no qual há muitos acidentes, mais em proporção do que qualquer país europeu ou do que os USA. No entanto, se eu dissesse em voz alta: o motorista brasileiro é irresponsável, quase assassino, poderia ser visto como alguém que generaliza, no entanto os números da violência falam por si mesmo - vide a quantidade de mortos todos os anos.

Se se tratasse de um governo, digo, se eu fosse o governo em busca de uma solução para um problema, responsável pelas instituição de leis que moderam o trânsito e tentam modificar as estatísticas, então este governo necessariamente lidará com o macro, o grupo. Ele estipulará leis que digam que em tal estrada é proibido viajar a maior ou menor velocidade. E isto é necessariamente uma generalização. Então um jornalista de má fé poderia me acusar de falar mal e não gostar, talvez até mesmo odiar e ser preconceituoso contra o motorista brasileiro.

Imaginemos agora um grupo de "protetores dos direitos do bom motorista", que existiria para defender aqueles que têm bons automóveis e são responsáveis, e tentaria vetar estas leis pleiteando as ideias seguintes: "não se pode generalizar. estas leis colocam todos no mesmo saco, veja o ciclano dirige bem, ele mesmo que beba é sempre consciente, ele é um moderado. É justo puni-lo em conta dos outros? Nem todos os motoristas brasileiros são assassinos potenciais"

Esta hipotética associação então poderia começar a lutar pelos direitos dos bons motoristas.

Na prática temos aqui um problema de ordem coletivo que influencia cada um dos indivíduos, e indivíduos extrapolando seus direitos de indivíduos em uma problemática de ordem do coletivo.

Resultado: provavelmente se quisermos impedir a cem por cento os acidentes e as mortes por acidentes de automóveis, não poderemos levar em conta os indivíduos, já que este é um constante fator limitante. Deveríamos fazer como nas linhas dos trens, onde não basta um semáforo, mas acrescenta-se um sinal sonoro e uma barreira. Se todos os automóveis estivessem limitados a 50 km/h não haveriam mais acidentes. Ou seja, a irresponsabilidade individual termina por influenciar necessariamente as decisões do grupo.

Na prática as consequências deste tipo de extrapolação protege o direito de determinados grupos de indivíduos porém perpetua realidades nas quais existem acidentes de trânsito mortais.

O governo naturalmente deveria procurar identificar se estes grupos são a maioria absoluta ou não e tentar conciliar uns e outros.

Aparentemente há uma grande defasagem entre a realidade e os interesses dos grupos, normalmente minoritários que provocam a perpetuação de situações trágicas.

Mais ainda: as pessoas não são mais capazes de pensar em termos de prazos, tempo, grupo e interesses comuns. Existe uma constante ilusão e procura de soluções imediatas, como pílulas da paz entre os povos.

Um exemplo dado por Rav Blumenfeld: se estamos todos em um barco, cada qual com sua cabine, e seu vizinho começa a cavar um buraco no casco, e você vem lhe dizer que está demente, cavando um buraco no casco e que vamos todos afundar, e ele te responde "esta é a minha cabine, estamos em uma democracia, eu faço o que quero e é bom para mim"

Isto se traduz com a especulação imobiliária desmesurada, como na crise dos USA, na qual os especuladores não se dão conta que os preços de moradia superfaturados impedirão seus próprios filhos de comprar imóveis no futuro.

Isto é um fenômeno que me parece generalizado no pensamento do que se poderia em linhas gerais chamar de ocidental. No entanto cheguei à conclusão de que não é o mundo inteiro que segue os mesmos princípios. Muito pelo contrário. Existe uma enorme parte da humanidade que não crê nem procura soluções imediatas. Que sabe pacientar e esperar que as ações deem seus frutos. Podem esperar por gerações. Batem na mesma tecla e esperam o momento em que o lado oposto quebrará.


Permitam-me neste momento puxar o fio deste raciocínio para o lado pessoal da história.

Antes de fazer minha aliá em 2003 (imigração em Israel), eu cultivava uma série de conceitos e valores que me pareciam ser o que qualquer pessoa com um espírito imparcial ou pragmático deveria incentivar - por exemplo, que em uma discussão sempre cada um dos lados tem sua parcela de culpa, de que é virtualmente impossível que um lado esteja totalmente certo e outro totalmente errado. De que cada lado da história é constituído por populações heterogênicas e diversificadas, de que generalizar é o primeiro erro que se faz, e, sobretudo que cada lado tem seus fanáticos e estes devem ser neutralizados de modo a que os pragmáticos de cada um dos lados possam enxugar os diferendos e chegar a algum tipo de concordância, doa a quem doer.

Cheguei em um kibutz em Israel (comunidade regida por princípios socialistas) no qual também vive um dos presidentes da Anistia Internacional, Celso Guerberez, cujo filho tornou-se meu amigo, e um prefeito, Bar-guil, além do presidente da Agência Judaica para a América Latina, Eddy Lazar, e um conceituado artista e escultor mural de Israel, Leo Flatau - Ou seja não faltam intelectuais e personalidades - e ali conheci uma série de pessoas envolvidas com o que se chama aqui em Israel de esquerda pragmática, ou seja, a consciência de se chegar a um acordo com o lado de lá. Minha esposa Orit, é oriunda deste lugar composto ideologicamente por moderados, intelectuais, artistas e pensadores de esquerda. Morei ali por cinco anos.

Neste kibutz fazíamos inúmeras atividades de conhecimento e busca pela paz, convidávamos jovens de cidades árabes a virem participar de nossas celebrações neutras de datas ou eventos de cunho religioso, a pequenas apresentações musicais e coisas simpáticas, às quais eles poderiam trazer sua comida e provar da nossa, ou seja, proporcionar a convivência entre os simples do povo, aqueles que não necessariamente se envolvem em politica. Deixar o macro para buscar a paz através do micro, este vindo a influenciar no macro.

A primeira coisa que me chamou a atenção é o fato deles cobrarem dinheiro para tocar em um evento destas características, e sobretudo, de sempre comparecerem unicamente os homens. Em dez encontros, nunca vi uma única árabe. Eles, ao contrário, passavam as noites cantando as israelenses, tocando nelas de maneira quase exagerada. 

Muitos judeus falam árabe fluentemente, sobretudo aqueles que são provenientes do Marrocos, Iraque, Tunísia ou Líbia. No entanto os árabes daqui falam pouco com eles, e não suportam que um judeu fale árabe com eles. Ao dizer que meu pai é do Egito, pararam de falar comigo por uma noite.

Os judeus do kibutz sempre me explicaram as causas disto: têm cultura diferente, protegem suas mulheres, são humilhados, sofrem com a ocupação etc.

Apesar destes árabes especificamente viverem em uma cidade chamada Faradis, a qual não tem nem ponto de controle, nem posto do exército e ser vizinha a uma cidade Israelense (zichron Yaakov - na qual muitos deles vêm trabalhar, e da qual muitos judeus trazem seus automóveis para serem consertados ou vão para os mercados), recebi a informação que é necessário entendê-los e fazer um esforço. Quando vivia no kibutz eu passava diariamente por Faradis para ir ao trabalho, e se trata de um cruzamento particularmente perigoso, pois os motoristas dali saem sempre em alta velocidade e defenestram objetos diretamente na rua. Neste ponto vi algo que me chocou. Uma mulher e seus tantos filhos (crianças- assumi que devereiam ser seus filhos) aguardam na estrada o momento de atravessar. Percebo uns fotógrafos em volta, não me dou conta de quantos pois estou dirigindo meu automóvel. Do nada, um homem com o rosto coberto com uma walabia vem correndo de dentro do vilarejo, cata aleatoriamente um dos moleques que acompanha a mulher - esta põe-se a berrar desesperadamente no mesmo momento- pula com ele no meio da estrada e o carro a minha frente por pouco não os atropela, e eu atrás. Ao chegar na escola onde dou aula desconcertado, explicaram-me que esta é a técnica da "criança árabe atropelada por um inescrupuloso motorista israelense." Veja mais sobre este assunto no final do texto.

No kibutz ainda fiz amizade com um beduíno (Ziad), que sempre foi muito simpático comigo, mas foi pego duas ou três vezes roubando coisas do refeitório, tal como engradados inteiros de cerveja (bem que proibida em sua religião), ferramentas caras de trabalho. Ele mora em uma cidade chamada Daliat-al-carmel para qual fui diversas vezes visitá-lo. Esta cidade é dividida em duas metades: beduínos e Druzos, estes uma minoria mais ou menos fiel ao estado de Israel que possui sua própria religião oriunda do Islã e que meio que saíram do "reto caminho". Até o estado de Israel se estabelecer, estavam em guerra uns contra os outros se odiavam e se matavam uns aos outros, hoje parece acalmaram-se seus ânimos. Fui ali bastante vezes em diferentes ocasiões, em uma das quais tive um acidente de automóvel. Eu estava na rua principal, e um árabe estacionado na vaga da calçada saiu de repente e me fechou a rua. Meu carro teve perda total e foi uma longa história. Chegaram policiais e viram o acidente e notificaram que eu estava certo, já que viajava pela rua e ele estava estacionado na calçada e entrou de repente. Ele desapareceu. Quando fui ver a agência do seguro, perguntaram-me onde ocorreu o acidente, e respondi. Perguntaram-me se era árabe, disse que sim. Me disseram que a causa já estva perdida. Eles mentem de maneira automática, e têm advogados árabes que defendem suas mentiras, e se o tribunal decide-lhes perda de causa é possível até (dependendo do tamanho da causa) chamar os direitos humanos. Na mesma semana do acidente ele concertou o próprio carro e a história terminou com um processo entre eu e a companhia do meu seguro, que não quis processá-lo, nem pagar meu prejuízo. Isto não foi nem metade da história, mas para resumir bem, depois de duas seções no juizado de Tel-Aviv, ganhei a causa e a companhia de seguros me indenizou. Mas não correu atrás de quem, no final das contas, tinha contas a prestar.

Ainda assim, tudo isto não são mais do que coisas que me ocorreram, e isto não serve para definir uma situação política, como disse previamente, é por definição um erro extrapolar uma experiência que tange o pessoal para o grupo, ou o contrário. Até então minhas convicções seguiam sendo as mesmas.

Um tempo mais tarde, ocorreu algo que mudou para sempre minha maneira de entender as coisas. Chegou um grupo de jornalistas franceses que precisavam de um tradutor temporário para efetuar umas entrevistas em francês e traduzir para hebraico com um mandatário terrorista de primeira linha, Zakariya al-Zubaidi líder dos mártires de Al-quds em Jenin.

Resumindo muito todos os processos para não me estender em detalhes, não tiveram problema em contatá-lo por telefone nem em passar as fronteiras com passaportes franceses. Eu não precisei ir com eles, apenas traduzi depois a gravação (estive com eles depois em Gaza e tiramos uma fotos de lá - estão no meu site e meio que rodaram a internet). Parece que foram recebidos na entrada da cidade por eles e não lhes cobriram os olhos para o caminho até a casa na qual ele se encontrava. Depois me explicaram que o exército conhece sua localização e suas atividades - então não há muito o que esconder. Ainda descobri que uma de suas mulheres é judia: Tali Fahima, a qual foi presa por traição, e por dar ao grupo informações proibidas.

A entrevista parece ter sido descontraída, pelos tons de vozes e as risadas ao fundo, e tinha um assistente de Zakarya que falava francês. Este eu traduzi segundo a gravação. Apesar de tudo, uma pergunta do repórter visivelmente irritou o seu interlocutor. Disse que os palestinos são vítimas dos mau tratos israelenses e sofrem com isto, e não têm esperança na vida e a única solução que encontram é o fanatismo religioso - e o suicídio desesperado. A resposta dele não se fez esperar. "Coitados? ninguém aqui é coitado ou vítima, ou sequer pobre" gritou Zakariya, "isto faz parte da propaganda sionista para convencer o mundo ocidental que somos um monte de idiotas - no entanto nossos jovens acreditam em sua causa e se matam em nome de Allá - e continuarão defendendo nossa fé e nossos territórios". Ou seja, se eu um dia achei que a religião é a arma dos fracos e sem cultura, um substituto para o verdadeiro conhecimento, descobri que no oriente médio é uma fé genuína. As pessoas não agem por desespero, nem estão desesperadas. Elas podem agir em nome da fé autêntica. E este grupo palestino age em nome da fé autêntica.

Isto se deve ao fato dos intelectuais ocidentais desdenharem a própria religião e observar que aparentemente apenas as camadas menos favorecidas da população continuam frequentando assiduamente as igrejas - então igualmente se pensa que a religião islâmica funciona mais ou menos da mesma maneira. No entanto isto nem mesmo é verdade no mundo ocidental. É quase um mito. Um olhar mais atento revela que mesmo sem frequentar templos religiosos a maioria dos brasileiros creem, e que existem religiões em franca expansão, como o Espiritismo Kardecista - que são frequentados por pessoas de alto nível de educação. Alguns filmes espíritas de qualidade chegaram a ser feitos, sobre a vida além-tumba.

Em todo caso perguntaram-lhe se ele estaria disposto a fazer um acordo de paz com israel. Sua resposta me abriu os olhos para uma nova faceta da realidade. Ele disse que logicamente que sim, as condições sendo preenchidas para que uma paz justa no oriente médio se estabeleça.

Vou explicar com minhas palavras. Até então, não me havia dado ao trabalho de definir o que é paz. 'Paz' para mim é algo como um estado de não agressão, ou evitar violência, ou separar duas entidades em litígio como faz a ONU. Para minha grande surpresa, 'paz' para ele á algo totalmente diferente. Trata-se de um estado de justiça. (qual justiça, ainda vamos definir) Em traços gerais significa o seguinte, Fulano rouba ciclano, e ciclano quer reagir. Na hora de sua reação vem um mediador e o convence a não reagir. Ciclano abre mão, uma situação de não agressão se estabelece, e nós a chamamos de 'paz'. 

Esta era a paz que reinava no Egito por exemplo antes de 57, quando ainda haviam judeus no Egito. 

"Quando nos raros dias de chuva que haviam no Cairo, eles entravam com seus jumentos nas Melah (gueto judeu) dentro das sinagogas, espalhando lama, comendo os livros e defecando. Se o jumento empacasse, batiam nele xingando-o de 'Al-iahood'. Cobravam impostos abusivos a todos os Dhimis (cidadãos de outras religiões submissas ao estado islâmico) e uma vez a cada tanto anos sequestravam uma ou duas moças. Para evitar que fossem sequestradas, com nove anos casavam-nas pois os árabes evitavam sequestrar mulheres casadas, e elas divorciavam logo antes do casamento de verdade" (Yaakov Amor - meu vizinho, cujos pais cresceram e foram expulsos do norte da áfrica) - Mas havia uma paz. Uma paz justa, segundo o corão, na qual os povos do livro, judeus e cristãos podem viver em paz em um país islâmico na medida em que se conformam com a lei da Sharia, pagam impostos e abrem mão uma vez ou outra de suas filhas.

Quando os judeus criaram o próprio estado autônomo, e foram invariavelmente expulsos de todos os países árabes, do Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Síria, Líbano, Iraque, e montaram um estado laico, eles foram contra as regras explícitas do Corão, deixaram de ser Dhimis. A única maneira de se restabelecer um estado de não agressão é caso uma paz justa seja oferecida - que os judeus recebam sobre si o fato que não pode existir um país não-muçulmano neste lugar do mundo (libertar Jerusalem - Al-quds, mesmo através do sacrifício pessoal, os 'mártires de Al-quds') os judeus devem pagar tributo e voltar a ser Dhimis, ou seja, voltar à situação de quando reinava a paz entre judeus submetidos que viviam nos países árabes que os "acolhiam" - que pagavam seus impostos e não reagiam. Aí nesta época gloriosa havia paz. O farol de luz do oriente. Era dourada do Islam. E a paz justa voltará a reinar, já que em nome de Allá os judeus voltarão a reconhecer seu lugar por bem e por mal.


Mesmo assim, eu disse com meus botões, este é justamente o lado fanático deles. Deveríamos lutar contra os fanáticos e apoiar os pragmáticos que certamente existem do outro lado. Edward Said, de um artigo que me foi enviado, tinha sido um dos escolhidos pela esquerda israelense para tal contato. O artigo ignora alguns detalhes que só quando se vive a realidade do conflito no seu dia a dia se pode entender.

Um fato destes ignorados, ele não era exatamente moderado, nem era muçulmano- era Cristão. Ele nunca teve representatividade com os muçulmanos, que o consideravam como outro Dhimi que deveria calar-se e viver uma paz justa. E os mesmos que ele defendeu se voltaram frequentemente contra ele.

Veja bem este dado. Nagib, general egípcio do qual você deve lembrar, pronunciou uma frase conhecida no mundo muçulmano: "primeiro cuidaremos do sábado, depois do domingo" Ou seja: primeiramente os judeus serão eliminados do mundo muçulmano, e depois os Cristãos. Bem quanto aos judeus não foi tão complicado. Já não há mais judeus no Egito, na Líbia ou na Península arábica. De fato, observe que desde então (anos 60-70) a população de coptas do Egito tem sido o alvo frequente dos tumultos no Egito. Todo ano morrem centenas em atentados, e outros tantos emigram para outros países. Sugiro este documentário de referência Inglês


Coptas e cristãos no Egito   trata-se do unreported world channel 4

e este artigo:

Os cristãos esquecidos do Oriente medio

O mesmo ocorre com Damasco, outrora capital administrativa do império bizantino, hoje capital muçulmana. Iraque e Argélia. Uma constante, em todos os países árabes a quantidade de Cristãos vem diminuindo a cada ano. Veja o Líbano, 'suíça do oriente médio' nos anos 60, único país árabe cristão desta região, povoado no passado por 80% de cristãos. Hoje 30% reza adiante de uma cruz, e o Hezballá, proxy do Irã, tomou o poder efetivo a dois anos (com ajuda da ONU e conivência dos países Europeus). Todo o triângulo da península arábica assim como todos os seus países estão livre de cruzes (Omã, Katar, EAU, Barhein, Yemen, Kuwait). Ali apenas turistas podem por os pés, e estão proibidos de rezar em outra direção que não seja a Meca. ademais, o mesmo processo ocorre nos territórios palestinos: Jericó e Belém duas cidades cristãs por excellence hoje são povoadas por maiorias de 80% de muçulmanos.

Curiosamente, existe apenas um país no oriente médio no qual a população cristã aumentou, e este país é Israel. Se os Cristão de todo o Oriente Médio atacam sem cessar Israel é por temerem as represálias e a censura dos governos muçulmanos.

Então Said teve pouca ou nenhuma significância estratégica geopolítica objetiva. Ele representou uma minoria agonizante.

Bem, nesta busca de interlocutores moderados, o primeiro passo foi buscar os movimentos reformadores, moderadores que deveriam existir no Islã. Ora, se entre os Cristãos há protestantes, ateus, evangelistas, anglicanos, e entre os judeus há reformistas, ateus e conservadores então o mesmo deveria existir no Islã.

Descobrimos que na palestina existem os seguintes movimentos religiosos/culturais: allawitas, sunitas, amal, salafistas, wallabitas e chiítas além de tribos beduínas isoladas (uma das quais diz até serem judeus...). Todos estes movimentos se presumem mais perto da verdade um do que o outro, todos são mais ortodoxos um do que os outros na observância do Corão, e todos concordam que israel não tem o direito de existir que não seja como uma minoria, em um estado de dhimitude, pagando seus impostos submetidos as leis da Sharia. Assevera-se que estes não são movimentos puramente religiosos tais como nós os entendemos, como se fossem correntes reformadoras uma da outra, como católicos e protestantes, porém tribos que viviam isoladas umas das outras e que em algum momento da história escreveram memórias familiares, incluindo suas desavenças com outras tribos.

O Hamás por exemplo, foi incentivado pelo mundo político nos anos 60 como moderados, para servirem de contraponto com Arafat, e o Fatah. Um tiro que saiu pela culatra, a exemplo dos talibãs que iam lutar contra o opressor, ou ainda a exemplo dos que acham que kadafi será substituído por grupos democráticos. Veja aqui sobre kadafi, e quem tomou seu lugar, com apoio da Europa e USA - o Lúcifer foi substituído por Belzebu -  aquilo que a imprensa brasileira não lhe divulgará: (cuidado cenas fortes! não abra se vc tiver coração fraco)

Kadafi sodomizado pelos rebeldes

Kadafi linchado

Charia será lei na Líbia


Na ausência de movimentos reformadores religiosos, o passo seguinte seria procurar partidos políticos: deveriam haver ateus, que não se envolvem com a religião, dispostos a tornarem-se os nossos interlocutores, e formar um bloco moderado/pragmático.

Na palestina existem os seguintes partidos político, todos contam com uma estrutura militar de guerrilha que nós chamamos de "braço armado". Não são braços armados, são os próprios partidos e sua estrutura.

Hezballá ('partido de allá'), Hamás ('violência'), Fatah ('abertura dos territórios ocupados') e mártires de al-quds (mártires da 'cidade santa'). Além destes grandes existem outros tantos menores, que se dedicam ao lançamento de obus no território israelense, lançamento de pedras em automóveis, sequestro de soldados, etc.

O Governo de Israel a alguns anos escolheu o Fatah (Arafat- Abu-Mazen-Erekat) como interlocutor, na falta de interlocutores na esperança que, se os fortalecêssemos, o dinheiro e bem estar econômico os removeriam do caminho da guerrilha. Este foram os acordos de Oslo com a OLP, o Fatah de Arafat.

A charta destes partidos políticos está disponível no meu site em português:


Estatuto do Hamás


clique no link "estatuto do hamás", e você poderá ler tudo o que eles dizem do início ao fim. Tome seu tempo: a melhor maneira de entender o que eles querem é ouvindo eles, não os que falam deles ou em nome deles.


No meio dos anos 2000, após a segunda intifada o estado de Israel optou por movimentos unilaterais: sob pressão internacional e sem ter interlocutor, devolve-se sem nada em troca o sul do Líbano e a faixa de gaza completa. Não há mais um único judeu nestas localidades. Estes dois desengajamentos foram interpretados como debilidade pelos líderes do Hamás e do Hezballá, que logo em seguida desencadearam duas guerras, a do Líbano (que hoje está totalmente dominado pelo Hezballá) e a de gaza (que hoje está totalmente dominada pelo Hamás). A Finul, (forças interimárias das nações unidas no Líbano) estão a ponto de ser expulsos, a cada tantos meses um novo soldado da ONU é abatido. A única maneira que têm de manter suas posições é cooperando com o Hezbollá, permitindo a infiltração de armas da síria e do Irã. Este cenário repete algo que ocorreu em 86, quando a ONU foi vergonhosamente expulsa de suas posições e o Hezbollá havia atacado Israel pela primeira vez.  (Inshalla - Oriana Fallaci sobre a guerra do Líbano) 

Durante a segunda guerra do Líbano em 2005 Shimon Peres líder da esquerda pragmática pronunciou-se e disse "para termos paz é simples: basta que parem de lançar mísseis sobre nós, e teremos paz" e em outra ocasião "devemos parar de abordar o problema como se fôssemos os únicos atores deste jogo. Para que haja paz é necessário que os dois lados queiram paz.

E não há hoje liderança, grupos organizados ou quem quer que seja que represente os moderados do lado árabe - e mais, começo a crer que o que nós chamamos de moderados muçulmanos são unicamente pessoas que não agem, mas que não farão absolutamente nada para policiar ou impedir aqueles que sim, agem. Estas pessoas não querem nem aspiram a responsabilidade e são o alvo constante dos jornalistas em busca de pobres vítimas. 

No meio tempo, eu e minha esposa meio que enjoamos do kibutz, sobretudo pela sistemática posição anti-israelense constante da esquerda, e resolvemos mudar-nos para Haifa. Ali, conhecendo amigos do trabalho, me disseram "ah! você fala francês? tem o Rabino do Technion (faculdade de high tec) que é francês, você vai gostar de conhecê-lo". E comentei isto com amigos do Kibutz, ao que me responderam "não vá de maneira alguma vê-lo! ele é o maior dos fanáticos judeus que quer destruir o povo palestino - ele induz as pessoas a uma mentalidade ortodoxa e guerreira, por causa de pessoas como ele há guerra em Israel".

Bem, não sendo mais criança pequena, ainda em busca dos moderados do lado palestino mas com cada vez menos esperança de encontrá-los, por que não, vou conhecer também o lado religioso fanático de Israel. Não tenho nada a perder, e poderei depois combater o fanatismo, já que o conhecerei em maior profundidade.

Dito e feito, nos mudamos para Haifa debaixo de vaias e poucos incentivos, continuei trabalhando na escola como de hábito, e fui conhecer o Rav Eliahu Rahamim Zini- Para minha surpresa trata-se de um poliglota, doutor em matemática e professor de matemática naquela que é uma das mais conceituadas universidades científicas do mundo - ele ensina matemática à futuros engenheiros aeronáuticos, biólogos-moleculares, assim como aos astrofísicos que estão lançando os primeiros satélites do programa espacial Israelense. Em seu tempo livre, ele é rabino e lidera uma congregação cuja maioria dos membros são franceses. Diga-se de passagem, hoje a frança é o país que mais exporta judeus para Israel. Há hoje mais de 125,000 judeus nascidos na frança em Israel, número sempre crescente, todos pelas mesmas razões. O antissemitismo europeu aumenta na mesma proporção em que o islã toma força. (Não que os franceses cristãos apreciassem em particular os judeus mais que os muçulmanos, mas a violência ligada à religião torna a vida na França complicada. Se quiser verifique este vídeo: 

Islam na França (gritos de morte ao judeu)

Islam na França (ruas de Paris fechadas para as rezas) )

A sinagoga esta acolhe umas cinquenta destas famílias de franceses.

A partir deste momento entendi que existe uma grande diferença entre nossos fanáticos e os deles. Primeiramente que os nossos não estão no governo nem têm partidos políticos - mesmo se existe uma participação na vida política por vias democráticas. Os deles todos estão à liderança de seus partidos políticos. Depois, nossos fanáticos não têm armas nem estão no exército, como O Rav Goldman que você conheceu no Rio. Nosso exército é laico - mesmo se existem religiosos que fazem o serviço militar que é obrigatório - os rabinos nas sinagogas, do lado deles, o exército é religioso, envolvido e ideológico.

Das minhas conclusões com o que se relaciona com o judaísmo, entendi que essencialmente nós temos uma relação com a nossa religião diametralmente oposta do que a deles. O seguinte: o maior dos grandes erros quando se fala das religiões é encontrar os pontos comuns entre elas, ou ainda de falar das grande religiões monoteístas, ou ainda falar das três grandes religiões que têm como cidade sagrada  Jerusalém.

Para começar, não se tratam de três grandes religiões - Existem duas grandes religiões, o cristianismo e o islamismo, cada qual com mais de um bilhão de seguidores. A terceira , o judaísmo, é uma pequena religião. Existem no mundo 12 milhões de judeus, e algo como de 2 a 3 milhões de simpatizantes, aqueles que apoiam ou são descendentes. Ou seja, há mais gaúchos que judeus no mundo. Destes judeus, a esmagadora maioria é agnóstica, parecidos com vc e eu. Há algo como 1,5 milhão de judeus ortodoxos. A maioria deles sequer está em Israel, apesar de haverem bairros religiosos em Israel. O estado de Israel é um estado laico/secular - e é uma democracia, na qual também os religiosos têm representatividade, por vias democráticas. Vale notar que os judeus ortodoxos, como os do Lubavitch que vc conheceu, não servem ao exército nem são sionistas. Eles estão mais preocupados com a religião do que com política. Portanto o exército de Israel é laico e secular, e acolhe também soldados Druzos e beduínos. Existem ainda os 'Neturei karta' grupos de ortodoxos antissionistas, os quais são frequentemente fotografados com Ahmadinajad (Neturei Karta com Ahmadinajad )

Isto é o oposto do que ocorre com os países muçulmanos, cujos exércitos são todos muçulmanos e que servem a governos ditatoriais sem exceção. (a primavera árabe até aqui só trouxe novos ditadores - o futuro falará por si só, para bem ou para mal).

Depois, outra diferença fundamental entre judaísmo e as outras religiões é o fato do judaísmo não ser proselista. ou seja, os judeus não buscam converter outros povos a sua fé. Existem conversões, mas unicamente daqueles que realmente querem e procuram os judeus - Ou seja, apesar de tudo o que se pode imaginar ou criticar, o judaísmo não tem aspirações objetivas que englobem toda a humanidade, e convive com outras religiões. Isto o diferencia de todas as outras religiões que conheço, que condenam ao inferno aquele que não quiser aceitar o caminho da verdade - conceito inexistente no judaísmo - seja ele um 'cão infiel' ou um 'ímpio pagão'.

As duas grandes religiões perseguem atualmente ou já perseguiram os que não se dobraram a sua fé.

Além do mais o judaísmo foi a primeira das religiões das quais as outras duas se apropriaram e em seguida trataram de tentar eliminar. Jerusalém foi a cidade de David. As cidades santas do cristianismo foram Roma, Constantinopla, Alexandria e Damasco. Dos Muçulmanos, Meca e Medina. Ambas invadiram Jerusalém no passado e trucidaram os judeus em seguidos banhos de sangue. Os Judeus Jamais em toda a história cobiçaram umas ou outras destas, ou de qualquer outras cidades. Pelo contrário: cidades construídas por Judeus, e conhecidas unicamente por judeus hoje pelos grandes Rabinos que ali pregaram, hoje estão vazias de judeus e ninguém as reclama, como Lubavitch, Vilna, Pinsk, Lublin, Braslev, Kotzk, Berditchevsky e tantas outras, para não falar das centenas de cidades habitadas outrora por judeus muito antes de sua arabização/islamização, como Babilônia (atual iraque), Shoshan (pérsia, atual Iran), Beirut (do Hebraico Beerot - 'poços'), Alexandria e Cairo, Fez, Djerba, Toledo e Gibraltar.

O Judaísmo tem proezas consideráveis no decorrer de seus 5000 anos de história, tais como a maior quantidade de prêmios nobéis. 180 judeus já foram laureados, o maior índice, sobretudo se tomarmos a equação da qutdade que somos em relação à todos os progresso que a tecnologia mundial e a medicina passaram graças a pesquisas feitas por judeus e em Israel. Os Árabes são 20% da população mundial, e receberam 7 prêmios nobel. Verifique neste link:


Prêmios Nobel atribuídos a árabes e Judeus


A religião judaica é composta de várias facetas: a oral e a escrita. Esta última é estática, mas é constantemente reinterpretada pela lei oral, que a adapta aos novos tempos e novas tecnologias. Por isto mesmo coisas proibidas aqui e ali, são geralmente permitidas no judaísmo, como transfusão de sangue, transplantes, e doações de órgãos. Qualquer proibição toraica pode ser revogada em caso de risco de vida, inclusive a circuncisão.

O talmud é uma coleção de 50 volumes com cerca de 1500 páginas cada, resumindo parte da lei oral em duas versões: o da babilônia (testemunhando a presença de judeus na região do atual Iraque muito anos antes da chegada dos árabes) e o de Jerusalém.

Qual foi minha surpresa no dia em que vieram de um canal de televisão cético entrevistar o Rav Zini, e viram por detrás de sua escrivaninha muros recobertos de livros, e a repórter, querendo fazer-lhe uma pegadinha perguntou-lhe se efetivamente os havia lido ou se eram apenas decorativos. Ele lhe disse - "saisissez-en un au hasard!"(pegue um ao acaso) o que ela fez, ele lhe perguntou em que página estava, que lesse a primeira frase. Ao fim da primeira frase recitou-lhe o que estava escrito até o final da mesma página.

Eis que o Rav Zini é uma destas pessoas que nunca esquece algo que leu - tem alguns rabinos assim em Israel: O rabino chefe dos Sefaradim, Ovadia Yossef, o Rav Kanievsky e o Rav Nathan Rosen.

Se a lei escrita é estática, sua interpretação oral varia com o tempo e se adapta as novas situações da vida, e é o que explica a sempre crescente quantidade de obras relacionadas ao judaísmo.

O judaísmo tem algumas diferenças fundamentais com outras religiões além desta.

Por exemplo, o cristianismo não aceita (em sua versão original) a reencarnação, ela a removeu dos textos originais em hebraico. Mais a mais, chegou um dia depois de 3000 anos de história judaica que o império romano invadiu Israel tardiamente, muito depois do Egito, Assíria, Emoreus, Jebuseus, Babilônios, Persas e Gregos. Queimaram tudo o que queimava, expulsaram os judeus de Israel, os venderam como escravos. Pegaram um judeu, o crucificaram e fizeram dele um D.us, coisa que não pegou na mesma época. 300 anos depois escreveram uma porção de coisa em seu nome e criaram uma nova religião (Paulo de Tarso - diga-se de passagem, um judeu), não entro aqui no mérito ou desmérito desta nova religião - Esta nova religião estabelecia que eles haviam tomado o lugar dos judeus e deveriam ser chamados de Israel. Com o passar do tempo, auto-da-fés e inquisições, puseram-se a queimar livros do Talmud e da Torá e acusar os judeus de haver assassinado a D.us - mas os judeus só poderiam ficar horrorizados com este espetáculo.

Já disse Mel Gibson em uma de suas entrevistas, "os que se queixam de meu filme (a paixão de JC) deveriam queixar-se com o novo testamento".

A epístola aos Hebreus, do novo testamento, é de fato um dos livros mais antissemitas já escritos - nele está escrito que os judeus jamais voltarão para a sua terra, entre outras coisas mais.

Para a grande contradição histórica, em uma pós-análise a nível estritamente religioso e deixando o pragmatismo de lado por um ou dois parágrafos, pode-se dizer que ocorreu um evento "bíblico" em plena metade do século 20. Os judeus voltam a sua terra e constroem um país - pior, um país que se defende quando atacado, a exemplo do rei David ou Hizkiahu- As autoridades eclesiásticas encontram-se então frente a um dilema. Primeira reação do vaticano é não reconhecer este país (melhor do que reconhecer uma possível falha no novo testamento).

Outra reação é reinterpretar o que está escrito, e é o que explica o ressurgimento de cristãos evangélicos que "creem que os judeus são o povo escolhido"  ou ainda outras vertentes que simplesmente rejeitam o novo testamento (veja este site por exemplo: Xamã Yoel Breves ou ainda este Centro dos Benei Noah )

ou ainda aqueles que encontram uma solução ainda melhor, a de converter todos os judeus à fé de jesus, assim acabando com qualquer dilema episcopal. São os "jews for jesus", na origem, todos cristãos. (Cristãos que querem converter judeus a Cristo)

No entanto se queremos responder a pessoas que nos fazem perguntas pragmáticas, temos que conservar a linguagem da lógica e do pragmatismo.

Retornando então ao lado pragmático, já com 3000 anos de história, quando outros 600 anos depois de perseguições aos judeus e sua dispersão pelo mundo ocidental e oriental, em todo o império romano, na babilônia pérsia e norte da áfrica uma tribo de judeus que viviam onde hoje se situa a arábia saudita, na época tribos pagãs recebeu a visita de um beduíno mohammed que os quis converter a sua nova fé, uma mistura de judaísmo, cristianismo e religiões anímicas locais, não podiam imaginar que iria se contrariar tanto com um não como resposta.

Vejam esta história em quadrinhos:

História de Mohamed ilustrada

História de Mohamed ilustrada 2

Outra História de Mohamed ilustrada

A expansão árabe foi uma das mais alucinantes da história da humanidade. Em duzentos anos invadiram a assíria, o império bizantino, as regiões do antigo império arameu, o Egito cristianizado de Ptolomeu e a cidade de Alexandria, os vestígios dos fenícios e cartaginenses, os bérberes da áfrica do norte, e até mesmo os babilônios. Ganharam as guerras, passaram ao fio da navalha todos os que recusaram islamizar-se, fizeram filhos com as mulheres que se tornaram arabizantes e muçulmanos. É assim que sobre as ruínas da Babilônia, na qual os judeus haviam sido exilados por Nabucodonosor, construiu-se o atual Iraque, na assíria cristianizada de então a síria muçulmana de hoje, no Egito de Ptolomeu, a república árabe do Egito (RAE) de hoje, sob os restos dos fenícios, o Líbano, sobre os bérberes, Argélia e o Marrocos, chegando até mesmo a rocha de Tarik no extremo da áfrica (gibr -al -tarik - Gibraltar) e invadindo o império romano ocidental, a zona da Hispânia e Lusitânia que ficaria sob seu controle até meados do século XV. Esta região também já tinha seus judeus antes da chegada dos Árabes, exilados por Tito, os chamados judeus Sefaraditas. Quando colombo descobriu a América, metade da península Ibérica estava sob domínio árabe. A invasão árabe não se fez com beijos, tabule e tahina. Ela se fez empalando os padres, defecando nos altares. (para isto leia "a força da razão" de Oriana Falacci

A força da razão - Oriana Fallaci

Os muçulmanos atravessaram os pireneus e perderam sua primeira batalha em Poitiers, em 1015 no que foi chamado de "première inquisition".

O califa Omar foi quem primeiramente invadiu Israel em 638 e construiu ali um templo (o domo da Roca - que não é uma mesquita e não tem minarete. É um templo no estilo pré-islâmico) mas não parou por aí, continuou a sequencia de invasões árabes. Em seguida, as tropas da inquisição lideradas por Saint-Louis, o Louis IX chegaram até a "terra santa" com o intuito de recuperar as sobras do império bizantino e liberar o túmulo de Jesus.

O que tinham em comum cristãos e muçulmanos foi seu ódio por judeus. Os braços de ferro entre as duas grandes religiões em suas guerras de supremacia uma contra a outra deixaram milhares de judeus mortos tanto em um lado como do outro. O protocolo dos sábios de sion foi escrito por cristãos e é hoje estudado em todas as escolas palestinas. Veja este documentário:

Protocolos dos Sábios de Sion

Então sob um ponto de vista estritamente religioso a simples presença de judeus em israel já contradiz as duas religiões, que tomaram para si Jerusalém e tentaram a todo preço apagar todos os traços de judaísmo dela. Por isto mesmo construíram o domo da roca exatamente onde estavam localizadas as ruínas do segundo templo. Debaixo de cada mesquita jaz um templo de outra religião.  Estão tentando fazer isto até hoje creia-me ou não:


Apagando os traços da presença judaica de Jerusalém

E muito mais gente do que se pode pensar neste mudo leva a religião realmente a sério. E esta religião na qual eles creem é contradita por aquela daquelas eles se apropriaram. Jerusalém não é "a cidade santa das três grandes religiões" como dizem. E a cidade que David construiu, Shlomo Expandiu, foi berço da cultura judaica, e foi a cidade mais invadida da história da humanidade. Veja bem: em todo o corão ela nunca foi sequer lembrada. É a cidade que os romanos invadiram e destruíram. É a cidade que os persas tentaram sem sucesso subtrair aos Bizantinos (romanos cristianizados assim chamados depois da divisão do império romano em dois) É a cidade que foi finalmente confiscada ao bizantinos pelas tropas do califa Omar. É a cidade da qual Mohammed subiu ao céu em seu alazão depois de ter conquistado Meca, vindo de Medina. Por tanto pertence hoje 'por direito' ao Islam. Alías, não demoraram a perder novamente o poder para a 'santa inquisição' e esta para os mamelucos e assim por diante. Um tanto quanto subjetivo, não?

Bem, saiba que tem um historiador francês que tem um interessante estudo a este respeito; suas ideias estão nesta palestra a qual eu recomendo:

História de Meca (francês)


Voltando ao lado pragmático da coisa, chegou um momento eu quis entender melhor a história do povo palestino, e para isto equipei-me de uma meia dúzia de perguntas pertinentes que me guiariam por minha pesquisa. Por exemplo, ao falar da França, eu conheço reis franceses aleatórios, como François II, Henrique IV ou Luís XIV. O mesmo posso falar com relação à Rússia ou Inglaterra e Israel, que já conheceu centenas de reis, de Shaul, David, Shlomo aos menos conhecidos, como Hizkiá, Hananiá, Omri, Ohad, Adoniá, Ahiassaf, Menashé, Shlomtzion ou Tzidkiá. Então pensei, quem já foram os reis palestinos da história?

Se vc encontrar me conte, pois só conheci Arafat, Nasralla e Haniê.

Passei a procurar por exemplo em que período da história Jerusalém foi a capital de um estado palestino. A história de Jerusalém é mais ou menos esta:

História de Jerusalém

Me parece que em toda a história não houve um estado palestino ou árabe cuja capital foi Jerusalém.

Procurei em seguida a moeda da palestina já que sempre que um reino é estabelecido a primeira coisa que faz é cunhar moedas - e na faixa de gaza a moeda que circula é a lira egípcia, e na cisjordânia o dinar Jordaniano. Ah! o Shekel Israelense é sempre bem-vindo.

No entanto em todos os lugares pesquisados, encontrei abundância de material sobre judeus e sua presença ininterrupta no oriente médio.

Procurei então as origens étnicas palestinas e percebi o seguinte, segundo a UNWRA (direitos humanos para os refugiados palestinos), é qualificado refugiado palestino qualquer indivíduo que morou na fronteira da jordânia/israel até dois anos antes de 48, ano de declaração de formação de Israel.

Joan Peters - As origens étnicas da palestina 

Esta escritora é incrivelmente séria trata-se de Joan Peters, uma americana de origem cristã que passou anos pesquisando sobre o Oriente Médio e levantou todas as estatísticas populacionais do império otomano e britânico. Todos os seus escritos são baseados nas estatíscas oficiais dos impérios turco, inglês e francês entre outros como Síria e Egito. 

Todos os países hoje do oriente médio foram formados mais ou menos entre os anos 1920 e 1970 sobre os restos dos impérios franceses, britânicos e turcos. Até 200 anos atrás, não haviam fronteiras delimitadas na África do Norte. Naqueles idos, as técnicas de colonização mais eficazes consistiam em selecionar tribos e privilegiá-las, atribuir-lhes poderes para que elas se tornassem um tampão e intermediassem os interesses dos colonizadores europeus. Assim, tribos relativamente pequenas e estrangeiras aos lugares de sua residência receberam reinados, como os Hashemitas da jordânia minoria de não mais de 20% da população da jordânia de hoje, que perdera a guerra contra os sauditas mais ao sul e foram deslocados em consequência. Os ingleses os "ressarciram" oferecendo-lhes novos lugares de assentamento.

Note que Mark Twain (que escreveu Tom Sawyer) passou por Israel em meados do século XVIII note como ele descreveu o que viu em suas memórias: (Mark Twain - seu diário de viagens no Oriente Médio)


"Mark Twain in the Holy Land

Mark Twain visited Israel in 1867, and published his impressions in Innocents Abroad.  He described a desolate country – devoid of both vegetation and human population:

“….. A desolate country whose soil is rich enough, but is given over wholly to weeds… a silent mournful expanse…. a desolation…. we never saw a human being on the whole route…. hardly a tree or shrub anywhere. Even the olive tree and the cactus, those fast friends of a worthless soil, had almost deserted the country.”

He was amazed by the smallness of the city of Jerusalem:

“A fast walker could go outside the walls of Jerusalem and walk entirely around the city in an hour. I do not know how else to make one understand how small it is.”

And he described the Temple Mount thus:

“The mighty Mosque of Omar, and the paved court around it, occupy a fourth part of Jerusalem. They are upon Mount Moriah, where King Solomon’s Temple stood. This Mosque is the holiest place the Mohammedan knows, outside of Mecca. Up to within a year or two past, no christian could gain admission to it or its court for love or money. But the prohibition has been removed, and we entered freely for bucksheesh.”



Ainda assim, sem me estender demasiadamente na relação histórica distorcida, resta ainda o problema humanitário. Com os repórteres cheguei a visitar Ramallah e a cidade de gaza. As fotos estão no meu site:

Fotos de Gaza

Você perceberá que muitos brasileiros invejariam os árabes aqui (Aliás, há um monte deles aqui. São filhos de refugiados que preferem voltar para cá, pois a vida anda muito difícil no Brasil). É que eles são sustentados pelos milhões de dólares que o mundo vive enviando para eles todos os anos. A eletricidade, água, gás telefone, pavimentação e estradas são todos fornecidos por Israel, inclusive o sistema educacional e de saúde. Então os grupos terroristas têm tempo para dedicar-se a atividades mais produtivas, como por exemplo a confecção de mísseis e coquetéis molotov.

A palestina é a arma, o escudo humano que o mundo muçulmano encontrou para substituir Israel por um país árabe imaginário que nunca existiu. Eles criaram as massas de refugiados e os impedem de assimilar-se em qualquer país que estejam. O próprio Erekat, ministro das finanças com Abu Mazen declarou que a formação e reconhecimento de um estado palestino nas fronteiras de 67 não significa o retorno dos "refugiados", pois estes só podem retornar segundo suas leis para Tel-aviv, Haifa e Jerusalém. saíram daqui presumivelmente 600.000 refugiados árabes, e em troca o mundo árabe enviou para cá 600.000 refugiados judeus, nossa família uma exceção já que preferiram afastar-se do Oriente médio. Estes refugiados judeus viviam nos países que tornaram-se árabes séculos antes dos países serem conquistados por árabes, como por exemplo na ilha de Djerba, antiga Cartigina, que tornou-se a 200 anos atrás a Tunísia graças a França e Itália. Os refugiados árabes em grande parte sequer árabes eram: podiam ser turcos, gregos, bósnios, armênios que foram trazidos ou vieram na época dos impérios turcos e britânicos. Basta que estivessem em israel 2 anos antes da declaração de independência para entrarem no rol de refugiados expulsos de seus lares. Verifique os dados oficiais no livro de Joan peters "from time immemorial".

Joan Peters - From Time Immemorial

A maioria destes árabes não foi expulsa: fugiram da guerra. Tanto que até hoje, aqueles que não foram embora vivem dentro das fronteiras de Israel, com carteira de identidade azul-israelense e gozam de todos os direitos dos cidadãos - cerca de 1 milhão e meio de árabes. Já a palestina a se formar será totalmente "judenrei" totalmente limpa de judeus. Como Gaza hoje. Depois da retirada unilateral de Israel em um gesto sem precedentes na história da humanidade, não ficou um único judeu. A partir deste dia começou uma chuva de mísseis "kassam" que já dura 9 anos.

Volto ao que comentei anteriormente, não me parece que possamos julgar da mesma maneira duas coisas diferentes, cada coisa tem seu contexto, cada elemento encadeia outros tantos. E usar as mesmas medidas para comparar os dois lados desta história me parece abusivo. Assim como da mesma forma julgar unicamente Israel e absolver sistematicamente os árabes é incongruente.

Então comparar os judeus a árabes é comparar diamantes a carvão, mesmo que parecidos, um é profuso abundante e queima rapidamente. O segundo raro, estável, resistente. Kibe e champanhe.

Um prisioneiro nosso vale 1500 dos deles, o nosso um jovem em serviço militar, os deles assassinos assumidos. Nós alimentamos os assassinos com carne e leite durante anos, e recebemos em troca um soldado cujos dedos das mãos não respondem mais. Graças a D.us não recebemos um caixão, como no passado que continha os despojos de Ron Arad. Veja neste link como funciona a justiça palestina:

Justiça Palestina

Então as soluções pragmáticas normais, que se aplicam em campo conhecido, em um contexto lógico, não se aplicam no Oriente Médio. As soluções aparentemente equilibradas que pregam logicamente que dos dois lados há culpados e inocentes, ignoram as diferenças anteriores, prévias ao conflito e ao oceano que os separam. Neste caso volta-se ao exemplo de tentar fazer as pazes entre Balzac e Pato Donald, colocando os dois em uma mesma balança. Este é o erro crasso da cultura ocidental, aquela a quem o Rabino Maharal de Praga se referiu como a do "porco", aquele que come com o mesmo prazer as delicadas trufas e lixo, e satisfaz-se dos dois (em contraposição ao ruminante, "que rumina ideias", antes de tragá-las).

Isto equivale a dizer o seguinte. Imagine-se indo ao mecânico, e recebendo um diagnóstico - consertando a peça indicada, unicamente para descobrir logo em seguida que o problema persiste. Você volta para o mecânico, e ele lhe diz para consertar a mesma peça novamente. Uma vez já parece muito, não? Mesmo assim, seu mecânico o convence de que não, esta peça pode ser concertada e tudo ficará bem. Vc a troca, paga o preço. Eis que ao rodar o problema persiste. Ao voltar para o mecânico, ele lhe insiste. Vamos trocar a mesma peça. E esta história continua...

Então a solução 2 estados para 2 povos já foi tentada em 39, em 48, em 67, em 73, em 85, em 92, em 2002... Agora novamente com Obama. E o que dizem os especialistas, os mecânicos da geopolítica? Vamos tentar de novo a mesma solução? E quem tem pago os preços de todos estes consertos é o estado de Israel unicamente. Os Árabes ganham uma profusão de dinheiro regularmente, ganham um mundo insistindo, implorando para que aceitem. Se aceitarem, ganharão dinheiro. Se não aceitarem ganharão ainda mais dinheiro. 

Simplesmente não existem dois povos nesta história.

Talvez tenha chegado o momento definitivo de parar de interpretar o que eles querem, de cessar de explicar intelectualmente o impasse, de parar de apontar o dedo para o único país de todo o Oriente Médio que é um país dentro do que se entende por país. Deixar de apontar para o único país que sempre existiu, cujo povo vive até hoje, e tentar entender o que quer o mundo?

Para isto é simples. Basta ler o Estatuto do Hamás com atenção, a charta da OLP com atenção redobrada, estatuto do Hezbollá e dos Mártires da Al-quds. Com isto, ouviremos direto da boca dos Árabes quais são seus planos. Afinal são estes os partidos políticos deles, o Hamás tendo ganho com esmagadora maioria os votos nas últimas eleições de Gaza.

Aqui está o estatuto do Hamás na íntegra:

Estatuto do Hamás

Perceba que trata-se de uma declaração de aniquilamento do estado de Israel. Não há lugar para um estado Judeu laico ou independente. Há lugar para uma minoria submetida ao Islam, que paga impostos e vive em regime de Dhimitude.

Mais ainda, sugiro que você visite o site do filho do líder supremo do Hamás, que fugiu para os USA e descreve todas as intenções dos Arabes.

Shoebat - um filho pródigo do Hamás


Bem, mas isto está longe de ser toda a história. Quem acha que seu objetivo é apenas Israel engana-se redondamente. Os Muçulmanos têm planos para o mundo. Agora que o terror árabe ultrapassou as fronteiras do oriente médio, o resto do mundo saberá para onde vai o dinheiro de seu petróleo.

Veja bem, não digo que israel seja perfeito, irreprochável, ou que não tenha problemas nem defeitos. Longe disto. Mas tudo o quanto se possa reclamar daqui, é aquilo de que se pode se queixar em qualquer lugar do mundo. Aqui tem gente rabugenta, que dirige mal, que espirra... Mas com todos os problemas que tem, é um país cuja postura e intenções são claras e honestas, que aguenta com paciência milhares de ataques antes de reagir. Quando reage, nunca reage em proporção às suas vítimas. Por exemplo, quando um árabe se explode em um ponto de ônibus ou restaurante, trata-se de um ataque direto contra civis, mulheres e crianças. Quando Israel responde, gasta milhões para fazer mísseis de mais em mais sofisticados, capazes de acertar com precisão de metros o seu alvo. Israel arrisca a vida de seus próprios soldados para proteger a dos civis inimigos, e indeniza as famílias dos terroristas abatidos.

Então, não estou mais disposto a ouvir Israel e Palestinos na mesma balança, nem de ocupação nem de maltrato dos palestinos, nem de árabes morrendo de fome. A guerra árabe só tem um objetivo: o de destruir Israel, não o de criar justiça nem equilíbrio nem paz. Eles já têm paz. Ninguém os está atacando. quem precisa de paz são os judeus, após 2000 de perseguições, pogroms, inquisições, e sobretudo, merda árabe que nos fazem engolir desde que Mohamed veio ao mundo. Leiam o Ram-bam, século XIII, carta aos judeus do Yemen.

Um dos culpados principais é a famigerada mídia de especialistas de meia-tigela, de repórteres escandalosos entrevistando histéricos. Como sempre, existem dois demônios sobre a face de nossa infernal sociedade: os advogados e os jornalistas, D.eus se apiedoe de nós e nos livre deste terrível apocalipse. Eles contam o que querem, da maneira que melhor lhes convém. Já dizia o Rav de Kotz: "se um cão morder um homem, isto não vira notícia. Se um homem morder um cão aparecerá em todas as páginas". Dito e feito. Quando os árabes nos atacam, nos jogam mísseis, se explodem ou nos sequestram, são "ativistas", no melhor dos casos quando de todo são publicados. Os judeus são então "colonos", no fundo recebem o que merecem. Quando depois de suportar anos de mísseis em silêncio, de ver uma geração inteira de crianças passar as noites em abrigos, temos de responder, o mundo inteiro nos cai por cima exigindo "moderação".

Veja este documentário que foi transimito em France 2, "un oeil sur la planète". Um dos países mais antissemitas da atualidade. Aqui você encontrará algumas das respostas que temos a dar a tamanha afronta.

Resposta ao documentário em inglês

Resposta em francês

Veja agora uma pouco do efeito da sobremidiatização constante. Israel é o país do mundo com o maior número de repórteres por km2.

Fotógrafos em Israel

Veja só o caso Duras, uma das maiores mentiras já ditas sobre Israel:

Foto enganosa

Este site é de um prefeito da França, Philippe Karsenty, o qual denuncia uma das maiores farsas da história da mídia recente, o caso Duras, todos em francês:

Caso Duras

Caso Duras - Revista

Philippe Karsenty

Conferência com Philippe Karsenty



Como pode um país com menos de 7 milhões de habitantes, estar praticamente todos os dias, em quase todos os jornais do mundo, e quase sempre falando mal dele? Será que somos assim tão malvados?

Termino esta parte com a expressão de meus sinceros sentimentos, e a lembrança de que aqui está a nossa família, desta minoria a qual nós pertencemos, e de que aqui não há belicismo gratuito. É uma guerra que não começamos e nos pesa a todos. No entanto, ter um país, com um exército, assim como todos os países do mundo, não é um crime. Usá-lo para defender-se tampouco. Temos nossa parte nesta empreitada, e não podemos deixar de ser quem nós somos. Fomos um povo humilhado, espizinhado, jogado de todos os países aos quais chegamos e nos quais não pudemos ficar - entre inquisições, pogroms e invasões, cosacos e mudjahedin, guerras santas e jihads- e resolvemos no século XX mudar as regras do jogo. A situação dos judeus no mundo inteiro melhorou francamente com o Sionismo, e, de minoria desprovida e periférica nos tornamos o país do qual mais se fala no mundo. Hoje a integridade dos judeus é mais respeitada no mundo inteiro. Estamos voltando, apesar de tudo e mesmo sem querer, a ter a posição que tínhamos na época do rei Shaul e David. Os Golias de hoje e suas hordas também cairão, e chegaremos também um dia à posição do Rei Shlomo, conhecido e lembrado por sua sabedoria mais do que por suas guerras, quando já se pensava menos em atacar o povo de Israel, um fato consumado na história. Como disseram Mark Twain, Nitzche e outros antes deles, vimos passar todos os grandes impérios diante de nossos olhos: caldeus, sumérios, arameus, fenícios, canaaneus, hiteus, jebuseus, emoreus, moabitas, amonitas, girgasheus, egípcios, assírios, babilônios, pérsas, medas, partas, greogos, romanos, bizantinos, árabes, cruzados, mamelucos, árabes outra vez, turcos, ingleses e franceses. Todos fizeram barulho, uivaram e se foram do mapa da história. O judeu é eterno e sobreviveu a todos. Não sei se em mil anos haverão muçulmanos ou cristãos, mas de uma coisa tenho certeza: haverão judeus.


Um forte abraço,

Bruno

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PS: uma outra matéria minha com a história do judaísmo neste link.


    




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