Quadrinhos distrubuídos em sala de aula:


Para ouvir as músicas cantadas em sala de aula 'o country da economia' e 'o ciclo economico', clique aqui:
Canções

História das cédulas - por que existem cédulas circulando? Tudo começou com um promessa de pagamento! Veja como um papel, que só tem valor porque todos acreditam e convêm que assim seja, e valor de troca (não de uso) veio a substituir as moedas, que têm um valor em si (o metal com o qual elas são feitas).


Entendendo a revolução industrial de maneira simplificada
Do sistema de produção que revolucionou o nosso "modus vivendi" e gerou o mundo tal como ele é hoje, com todas as vantagens e inconvenientes que acarreta. Lembre-se que revolução não significa revolta. Significa que a história toma outro rumo, com novos atores. Como uma "evolução" diferente.


O carro popular
Como as indústrias do início do século XX encontraram e desenvolveram novos mercados consumidores desenvolvendo produtos mais simplificados e aumentando o salário de seus funcionários de maneira a que se tornassem consumidores
O ciclo econômico
Como funciona a economia capitalista de maneira geral, de maneira cíclica quando a produção leva à contratação de operários, aos emolumentos e ao consumo, este último incentivando a demanda e a nova produção. Duas partes:
Clique aqui para visualizar parte 1
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O toyotismo - como a toyota liderou aquilo que com o tempo viria a ser chamado de segunda revolução industrial revolucionando as linhas de produção segundo o exemplo japonês, também conhecido como o 'milagre japonês'


Mais valia
- um conceito Marxista. Como é gerado lucro no capitalismo industrial? Todo sistema econômico necessita de um "combustível" para impulsioná-lo e provocar a participação de pelo menos a grande maioria das pessoas, caso contrário seria o caos social. Na sociedade capitalista industrial, este combustível é o lucro gerado pelo trabalho.



Emissão de moeda sem lastro gera inflação. Como exatamente? Sempre ouvimos falar de hyperinflação. Sem entrar em todos os complicados detalhes que só serão estudados na faculdade ou por aqueles que querem aprofundar seus conhecimentos, lembrem-se que os preços não sobem sozinhos. Além da lei da oferta e da procura, os preços podem subir por causa de emissão de papel moeda sem lastro. O papel moeda é meio que como um cheque assinado pelo estado. Então veja só o que ocorre com um cheque sem fundos:
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Câmbio - como funciona. entender o câmbio com histórias em quadrinhos:

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Dolarização - para entender como o mundo chegou à dolarização e à globalização. Inclui a convenção de Bretton-woods, a criação do FMI e os planos Marshall e Colombo com o uso de linhas de crédito.


O câmbio e sua importância na economia: clique aqui
 (para entender o que são câmbio flutuante e fixo)

Artigo sobre Padrões econômicos:

Todas as semanas surge uma nova encruzilhada para o Euro. Uma vez é a economia da Irlanda, outra a da Grécia, e os nomes dos países vão se sucedendo, na ordem dos mais fracos para os mais fortes: seus governos são convidados pela comunidade europeia a fazer ajustes fiscais para poderem receber ajuda de instituições financeiras como o Banco Central Europeu e o FMI. 
Se vai dar certo ou não, ainda não se sabe, mas não há dúvida de que o euro está em crise e de que o mundo entrará em outra guerra de divisas, como alerta James Rickards em Currency Wars: The Making of the Next Global Crisis (em português, "Guerra de Divisas: a confecção da próxima crise global", editora Portfolio Hardcover).
 
A guerra de divisas é um termo cunhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, hoje utilizado mundo afora para definir a sucessão de medidas que os países tomam para proteger a estabilidade de suas moedas – na verdade seus empregos e suas indústrias, muitas vezes causando prejuízo a outras nações. Rickards, formado em direito e economia, e  um banqueiro com 35 anos de experiência em Wall Street,  acredita que os Estados Unidos precisam voltar ao padrão-ouro. 
 
O padrão ouro foi o sistema monetário que existiu entre o final do século 14 e a II Guerra Mundial, teoricamente funcionando da seguinte maneira: em cada país, o valor do meio circulante era exatamente igual ao que o seu banco central guardava em ouro. No acerto da balança de pagamentos entre os países ao final de cada ano, aqueles que tinham exportado mais recebiam seu pagamento em ouro e vice-versa.
 
O padrão esgotou-se ao final da II Guerra, já que a Inglaterra e outros países saíram dela praticamente quebrados e sem ouro. A solução apareceu nos Acordos de Breton Woods, de 1944, em que os países concordaram em substituir o ouro pelo dólar americano como garantia – enquanto os EUA, e somente eles, lastreavam o dólar ao ouro, pelo valor de US$ 35 a onça (28 gramas). 
 
Como nenhuma solução  é apropriada para 100% das situações, o padrão ouro também não foi: nos anos seguintes, os Estados Unidos gastaram mais do que podiam, especialmente com seus investimentos em defesa para a guerra fria, e especialmente, com a guerra do Vietnã. O resultado combinado dessas duas iniciativas é que o país chegou ao ano de 1971 no vermelho em termos de ouro. Para piorar, o crescimento da oferta do metal não acompanhava o crescimento da economia mundial.
 
Em 15 de agosto desse ano, o presidente americano Richard Nixon anunciou que os EUA estavam abandonando o padrão ouro e que  cada moeda seria cotada em relação ao dólar, conforme o mercado determinasse. Essa decisão é uma das origens do déficit americano – como não era mais preciso conseguir ouro para garantir as emissões de moeda, os EUA poderiam emitir todos os dólares que  quisessem. Resultado: seu deficit está na casa dos US$ 14 bilhões.
 
Para qualquer país, a taxa de câmbio em relação ao dólar é um dos grandes reguladores da sua vida econômica – desvalorizar significa a possibilidade de ter mercadorias baratas para exportar  – e também implica importações caras. Valorizar significa exatamente o contrário. 
 
A oscilação, portanto, pode representar emprego ou desemprego, enriquecimento ou empobrecimento, lucro ou prejuízo. E é aí que está a origem da guerra das divisas, uma das mais temidas reações dos países no campo das relações internacionais: ao desvalorizar sua moeda, um país pode estar prejudicando seus parceiros comerciais e provocando crises que envolvam recessão, inflação e, às vezes,  violência. Diante dessa perspectiva é que  Rickards  acha que a guerra cambial  em curso poderá levar a uma crise pior do que a de 2008.
 
A cada solavanco que o sistema monetário internacional sofre, há uma queda na confiança daqueles que têm capitais e podem movimentá-lo em favor do desenvolvimento da indústria, do comércio, dos serviços. Com os capitais parando de circular, a etapa imediatamente seguinte é a recessão e todas as suas consequências. 
 
A confiança dos capitalistas vem sendo abalada diariamente pelas notícias de todo o mundo, como o enfraquecimento do dólar, desconfiança dos banqueiros americanos, manipulação da moeda chinesa, compra de ouro pela China em quantidades cada vez maiores (para reforçar sua economia e sua moeda). Ao mesmo tempo, o Tesouro americano continua emitindo dólares aos trilhões, enquanto a Europa luta para que a confiança no euro não se esgarce e destrua a moeda. 
 
Por mais que os governos dos países desenvolvidos tenham reservas para manter suas moedas estáveis, existe o risco de que a guerra de divisas continue mesmo a crescer e provoque consequências muito graves. Uma delas é uma grande desvalorização do euro, que já começou a acontecer.
 
O Brasil, no meio disso tudo, está apoiado em reservas internacionais acumuladas principalmente em títulos do Tesouro americano, já que em termos de ouro não temos grande expressão – estamos em 47º lugar, abaixo de países como a Indonésia e o Peru, por exemplo. 
 
O grande perigo agora está na corrosão da confiança, um dos três pilares sobre os quais se apoia o sistema monetário internacional (os outros dois  são ajuste e liquidez). Não há confiança, porém, capaz de resistir ao que os noticiários  mostram dia após dia.

Paulo Brito Publicado pelo Diário do Comércio em 14/12/2011


Uma aula de economia com Asterix e Obelix

aula de economia com obelix

Nada como aprender economia e divertir-se ao mesmo tempo. Obelix & Companhia foi escrito já há algum tempo pelo falecido Goscinny e Ilustrado por Uderzo. Alguns políticos franceses foram assim ilustrados: 

Sinopse 
    (...da Wikipédia)

"Os romanos têm um novo plano para dominar a aldeia dos irredutíveis gauleses, pretendem conquistá-la. Para isso enviam um patrício romano até à Gália para seduzir Obélix e vender-lhe menires, enquanto controla o preço dos mesmos, deixando o guerreiro gaulês o homem mais rico da aldeia. Logicamente que o enriquecimento súbito de Obélix atrai as atenções, além disso ele começou a colocar vários habitantes da aldeia a trabalhar para ele. Astérix aborrecido por ver o amigo distante e ganancioso, decide dar-lhe uma lição, convencendo outros habitantes da aldeia a fazer menires. Com o negócio dos menires em alta, a aldeia acalmou e pararam os ataques aos romanos, mas em contrapartida Roma encontra-se sem dinheiro, pelo que suspende o pagamento de menires. Os gauleses descobrem que foram usados e atacam o forte romano."

O episódio completo pode ser baixado clicando aqui!


Confira aqui partes do livro: (clique na imagem para aumentar)

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Se você entender o que esctá escrito é pormque está começando a entender de economia e comércio! Veja: a lei da oferta e procura, propaganda e concorrência.

Leia este artigo de Sérgio Domingues:

Comparar Obelix e Companhia, de Goscinny e Uderzo, às obras de Marx, Engels, Lênin, Rosa, Trotski, Gramsci, não tem nenhum sentido. Mas, essa pequena obra-prima em quadrinhos merece a atenção de quem luta contra o capitalismo.

      "Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum, e Petibonum...".

A apresentação acima acompanha todos os álbuns de Asterix, personagem do italiano Albert Uderzo e do francês René Goscinny. A série de 31 álbuns é um dos exemplos do que há de melhor na literatura em quadrinhos.

O que a introdução não explica é que os "irredutíveis" gauleses devem sua invencibilidade a uma poção mágica. A bebida dá aos aldeões uma enorme força física e seus efeitos duram o suficiente para destruir qualquer tentativa romana de conquistar a aldeia. Esta, na verdade, simboliza o nacionalismo francês.

Cada álbum da dupla é uma obra-prima feita de belos traços e cores, humor, roteiro, ironia, conhecimento histórico e muita inteligência. Mas um deles é tudo isso e ainda pode ser usado para mostrar como as relações capitalistas podem corroer laços comunitários de convivência. Trata-se de Obelix e Companhia.

A história começa com a imagem da fortificação de Babaorum, a mais próxima da aldeia gaulesa (Prancha 1-A). As legiões romanas, famosas por sua disciplina e dedicação, estão entregues à mais terrível indisciplina e ao mais completo ócio. Só esperam a chegada das legiões que ficarão em seu lugar. As razões? A desmoralização diante das sucessivas surras tomadas dos gauleses.

      Vou fazer algumas observações a que chamarei de parênteses. Os leitores que os acharem desnecessários ou quiserem tirar suas próprias conclusões, podem seguir o texto principal sem prejuízos para a compreensão da história.

Enquanto isso, César, em Roma, está desesperado por uma saída para o impasse diante da aldeia de Asterix. Convocou senadores e patriarcas para aconselhá-lo na tarefa. Dentre estes, está Regius Velhacus, recém formado pelo "reformatório de ensino superior". Ele propõe a César derrotar os gauleses por meios não militares. Através da corrupção pelo ouro. César se interessa.

Mas, um dos presentes discorda. Diz que o melhor ainda é a boa e velha força bruta. Ao ouvir isso, César diz a ele: "Sim, Pediculus, eu me lembro! Você era um jovem tribuno corajoso, audaz, até pensava nos problemas do povo...Agora, com o ouro dos saques, veja em que você se transformou!" Depois, dirigindo-se a todos: "Sim! Vejam o que o ouro, as vilas, as orgias, as comissões na compra de armas fizeram de vocês! Gordos e decadentes!..." (Prancha 9-A)

César vira-se para Velhacus e pergunta: "Você acha que pode transformar aqueles gauleses em algo parecido com isso?", apontando para os gordos patriarcas. A resposta: "Pode crer! Eles vão lutar por outra coisa e nunca mais para defender sua aldeia!" (9-B).

Velhacus parte para a Gália. Por acaso, encontra Obelix na floresta que separa a fortificação romana da aldeia gaulesa. Como sempre, o grande gaulês carrega um menir (1) de sua própria fabricação. Velhacus encontra o pretexto para por seu plano em ação. Compra o menir e pede para entregar mais um na fortificação romana no dia seguinte. Obelix faz mais um menir e o leva a Velhacus. Este lhe diz que vai pagar o dobro do que pagara pelo anterior. Diante do espanto de Obelix, o romano explica as razões do aumento nos seguintes termos: "... problemas de da economia, fluxo de oferta e demanda...reversão atípica das expectativas. Flutuação cambial...é complicado" (13-A).

Javali é o prato preferido na aldeia e o único item na gordurosa dieta de Obelix. Mas com o aumento das encomendas de menires, Obelix já não tem tempo para caçar. Se vê obrigado a oferecer dinheiro a um outro aldeão, Analgesix, para caçar javalis para ele.

Asterix estranha a intensa produção de menires e questiona Obelix. Este dá sua explicação nos termos em que aprendeu a pensar com Velhacus: "...Se a demanda for igual à quantidade de bens produzidos, divididos pela quantidade de moeda boa, multiplicada pela quantidade de moeda má que sai de circulação, os preços cairão" (15-B).

A vida da aldeia começa a entrar em colapso. Obelix recebe cada vez mais dinheiro de Velhacus. Passa a contratar gente para ajudá-lo na fabricação de menires. Ao mesmo tempo, outros aldeões são desviados de suas funções normais para caçar javalis. Estes são vendidos para quem não tem tempo de caçar por estar trabalhando para Obelix.

Ao sair para caçar, Asterix descobre que a floresta está apinhada de caçadores de javalis devido ao surgimento da troca de javalis por dinheiro.

As relações conjugais também não vão bem. Uma das mulheres da aldeia se insinua para Obelix, uma vez que ele comprou todo os belos tecidos do mercador que visita a aldeia regularmente. Obelix a contrata para fazer-lhe uma roupa. O marido cobra o almoço. Mas ela se nega a preparar a refeição porque está costurando para Obelix. "Como não posso contar com você, preciso arranjar um meio de ganhar dinheiro", diz ela. (23-B e 24-A).

       o enredo mostra como a forma de troca de mercadorias entre os aldeões vai se alterando. Antes eram trocas entre produtores diferentes. O peixeiro comprava do ferreiro, mas este também seria fornecedor do peixeiro, quando ele precisasse de uma nova balança ou de facas. O dinheiro está presente, mas seu caráter intermediário é mais claro. Com a especialização da aldeia na fabricação de menires, todo o resto começa a girar em sua órbita. Já não circulam produtos e serviços através do dinheiro, mas dinheiro através de produtos e serviços. Há uma passagem de O Capital, de Marx que diz: "... uma mercadoria não se torna dinheiro somente porque todas as outras nela representam seu valor, mas, ao contrário, todas as demais nela expressam seus valores, porque ela é dinheiro. Ao se atingir o resultado final, a fase intermediária desaparece sem deixar vestígios. (...) Ouro e prata já saem das entranhas da terra como encarnação direta de todo trabalho humano. Daí a magia do dinheiro."

Asterix sente que está em andamento um plano para desunir a aldeia. Prepara a reação. Estimula todos os moradores a entrar no negócio dos menires para concorrer com Obelix. A confusão aumenta. O ferreiro, o peixeiro, o quitandeiro, todos largam suas tarefas tradicionais para também fabricar menires. Ao entusiasmo geral pela nova atividade, Asterix adiciona um aumento de produtividade através do uso da mais avançada "tecnologia" local: a poção mágica. O resultado são entregas cada vez maiores ao acampamento romano.

A conseqüência é que César começa a se desesperar com a quantidade de menires que chega a Roma. Velhacus o tranqüiliza. Diz que vai estimular a compra de menires, usando um márquetim todo específico: "As pessoas compram, diz ele, A - o que é útil, B - o que é confortável, C - o que é agradável, D - o que causa inveja nos vizinhos. Está no item D o ponto básico da campanha." Propõe a massificação. Cita as qualidades que devem ser ressaltadas: "A - durabilidade, B - ineditismo e C - outras qualidades que ainda vou descobrir" (32-A).

A prancha 34-A mostra Velhacus apresentando a César os produtos que inventou para transformar a posse de menires em moda: Togas com menires bordados, relógios solares com ponteiros em forma de menir, jóias com o mesmo motivo e um estojo "faça você mesmo" com martelo e talhadeira para uso familiar.

      É uma idéia comum a de que o capitalismo inventa coisas desnecessárias para serem vendidas. No entanto, esta é uma discussão complexa. Qual o limite entre o que é estritamente necessário e o que passa a ser supérfluo? Muito difícil de determinar. Claro que alimento, vestuário e habitação poderiam ser considerados o nível mais básico. Mas em regiões muito quentes, a nudez total seria a regra? Não é o que se verifica. Mesmo entre indígenas em regiões tropicais, os adereços e acessórios simbólicos fazem parte da vida social. Não há uma relação direta entre necessidade e uso. Além disso, hoje já é muito comum ver tribos inteiras vestidas com roupas urbanas, mesmo que não sejam necessárias devido ao clima. Aí, já entra o fator da dominação cultural.

      Em O Capital, ao discutir quanto deve ser a soma dos meios necessários para manter a vida normal de um trabalhador, Marx diz que "a soma dos meios de subsistência deve ser (...) suficiente para manter no nível de vida normal do trabalhador". Mas, adverte que um elemento histórico e moral entra na determinação desse valor. É o caso de indígenas vestidos com camisas do Flamengo, usando relógios de pulso e consumindo bebidas e comidas estranhas à sua tradição e, teoricamente, inadequadas ao ambiente em que vivem.

Mas nem tudo dá certo. Começam a aparecer contradições. Um fabricante romano de menires inicia um movimento protecionista. O fabricante, que se chama Malentendidus, é questionado por César: "Que história é essa?" O fabricante responde: "Os menires gauleses estão colocando em risco a sobrevivência da classe empresarial". César discorda: "Mas quem fabrica são os escravos". Malentendidus: "Justamente! O trabalho duro é o único direito do escravo! Não podemos lhes tirar esse direito!" (34-B e 35-A).

A situação evolui para ações concretas. Uma barreira é colocada na entrada de Roma. Numa faixa está escrito "Menires Gauleses Go Home" (35-B).

       Um momento muito feliz dos autores. Primeiro, antecipam em pelo menos 15 anos (o álbum é de 1976) as contradições entre a globalização e os interesses de setores nacionais burgueses. Um famoso representante desses setores é José Bové (2), que é francês e lembra Asterix. Em segundo lugar, os escravos romanos não poderiam ter direitos, pois eram considerados coisas. Do ponto de vista formal e real, equivaliam a animais de tração. Portanto, Goscinny e Uderzo devem estar se referindo aos proletários atuais. Estes acreditam ter direitos. Mas só os têm do ponto de vista formal. Do ponto de vista real, seu único grande direito é o trabalho duro.

As táticas consumistas de Velhacus perdem fôlego. Menires começam encalhar nos estoques e a ser vendidos em liquidação. "Em cada compra de um escravo, dois menires de graça", diz um anúncio talhado em mármore (37-A).

César pega Velhacus pelos colarinhos, chacoalha e diz: "Foi por sua causa que quase abri falência e quase entramos em guerra civil! Nem mesmo Brutus me prejudicou tanto!" (37-B). Despacha o marqueteiro para a Gália para resolver o problema. Lá chegando, Velhacus simplesmente suspende a compra de menires.

Ao descobrir que os romanos já não querem comprar mais menires, os gauleses começam a se desentender. Uns acusando os outros de concorrência desleal. Mas Asterix lhes faz notar que os verdadeiros culpados são os romanos. Convida-os a acertar tudo com eles. A prancha 43-A mostra Os gauleses entrando numa coluna arrasadora pela fortificação de Babaorum, destruindo tudo e colocando os romanos em fuga. Inclusive, Velhacus.

A cena final é aquela que fecha todas as aventuras de Asterix. Um grande banquete, com muito vinho, os inevitáveis javalis e muita diversão. Só não há música porque o único bardo da aldeia tem uma voz horrível. Durante os banquetes, fica amordaçado e amarrado a uma árvore.

      Podemos entender a vitória gaulesa sobre a estratégia de Velhacus como a impossibilidade de que relações capitalistas se estabelecessem naquele momento histórico. Ainda citando O Capital, Marx diz que "só aparece o capital quando o possuidor de meios de produção e de subsistência encontra o trabalhador livre no mercado vendendo sua força de trabalho, e esta única condição histórica determina um período da História da humanidade." Essas condições não aparecem nem em Roma, em que a força de trabalho é escrava, nem na aldeia, em que os moradores possuem seus próprios meios de produção (ou de subsistência através da caça e da coleta). 

      Mas é claro que os geniais criadores de Asterix não pretendiam qualquer exatidão histórica. O domínio do formato satírico lhes deu liberdade para fazer a crítica de aspectos da atual sociedade capitalista em plena antiguidade romana. E o fizeram de forma magistral através de um material bonito, divertido e fácil de assimilar. Que tal usá-lo em cursos de formação?

FONTE:  REVOLUTAS
SITE: http://www.revolutas.net
PUBLICAÇÃO:  09/03/2004

(1) Segundo o dicionário Houaiss, menir é um monumento megalítico do período neolítico, geralmente de forma alongada, altura variável (até cerca de 11 m) e fixado verticalmente no solo. Podia servir de marco astronômico. Também pode representar o totem ou outros espíritos, freqüentemente apresentando traços figurativos

(2) José Bové é criador de ovelhas e líder da Confederação Camponesa da França. Tornou-se conhecido em 1999 ao liderar a invasão de uma lanchonete McDonald's na França em protesto contra a globalização econômica. No final do mesmo ano, em Seattle, nos Estados Unidos, Bové participou de manifestações contra a Organização Mundial do Comércio (OMC). Participa dos Fóruns Sociais Mundiais.

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